Educação

Deficiências educacionais provocadas pela pandemia são tema de encontro da Unesco

Fórum Regional 2021 debateu desafios e oportunidades dos sistemas educacionais da América Latina após a pandemia

CRÉDITOS: EBC
CRÉDITOS: EBC

A pandemia de Covid-19 provocou deficiências sem precedentes nos sistemas educacionais e despertou a necessidade de um planejamento educacional. 

Estimativas recentes do Instituto de Estatística da UNESCO concluem que cerca de 165 milhões de estudantes na região da América Latina e Caribe foram afetados pela interrupção das aulas no momento mais crítico da pandemia. E a Unicef calcula que três entre cada cinco crianças no mundo que perderam em torno de um ano escolar durante a pandemia vivem na região.

Esse foi o tema de discussão do Fórum Regional de Política Educacional da América Latina e Caribe na semana passada, que tem como foco as implicações políticas da Agenda ODS-Educação 2030 e em estratégias eficazes para sua implementação.

De acordo com outro relatório, também da UNESCO, as escolas de todo o mundo passaram em média 2/3 do ano letivo fechadas. O Brasil está entre os países com maior expressividade nessa questão, com escolas totalizando até 40 semanas com as portas fechadas.

Além de autoridades ministeriais de 29 países da região, o encontro também reuniu centenas de representantes da sociedade civil, de organizações internacionais e do meio acadêmico.

O evento destacou a importância da criação de um sistema de dados que permita monitorar a educação à distância para entender a complexidade do impacto na aprendizagem durante esse período. 

“Num contexto de agravamento da desigualdade de oportunidades em consequência da pandemia, é fundamental que os países da região tenham sistemas de informação eficazes, capazes de produzir dados válidos e confiáveis, mas sobretudo que utilizem os dados recolhidos e sistematizados no processo de planejamento e gestão dos sistemas educacionais”, afirmou Pablo Cevallos Estarellas, Diretor do Escritório para a América Latina do IIPE UNESCO.

O Fórum também explorou o papel dos sistemas de informação no combate à exclusão e na promoção de sociedades mais justas e igualitárias diante da crise causada pela pandemia de covid-19

Como desafio para o futuro, o Fórum destacou a necessidade de melhor aproveitamento das informações á existentes na política educacional  e a ampliação das possibilidades de desagregação de dados por meio da combinação de fontes de informação.

“A informação por si só não gera melhorias. Os esforços não devem se concentrar na produção de informações, mas, sim, utilizar os dados com estratégia para garantir o pleno direito à educação. A usabilidade dos dados gera um fortalecimento do planejamento e da gestão das políticas educacionais, e assim temos as melhorias”, afirmou Cevallos.

A preocupação quanto a coleta das informações também chega nas pontas do sistema educacional. 

Sobrecarregados de carga de trabalho as escolas precisam são um ponto fundamental para a obtenção de informações. 

O orientador se apresenta como uma figura interessante para coletar essas informações e torná-las acessíveis a diferentes usuários porque é quem mais acompanha as atividades escolares de perto, podendo fazer melhor uso das informações disponíveis.

“O Fórum Regional tem um grande valor para os países aprenderem uns com os outros e, de certa forma, é uma experiência de aprendizado entre países com contextos culturais semelhantes e níveis de desenvolvimento comparáveis. Também é uma grande oportunidade para atores de alto nível de quase todos os ministérios da educação da América Latina e Caribe, e especialistas em políticas educacionais, se reunirem em tempo real para trocar experiências e deliberar livremente sobre os problemas reais que enfrentam”, concluiu Cevallos.

Marina Verenicz

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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