Editorial

Lula representa a única esperança para afastar de vez Bolsonaro e seu bolsonarismo

CartaCapital apoia incondicionalmente a candidatura do petista nas próximas eleições, lamenta apenas que tenhamos de esperar por nove meses

O ex-presidente e seu ex-chanceler Celso Amorim repetem em Paris uma antiga parceria
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Meu parceiro de aventura nesta publicação, Luiz Gonzaga Belluzzo, no meu primeiro livro, O Castelo de Âmbar, presente como Professor Verdone por causa da sua paixão palmeirense, mais uma vez partilha comigo a visão do Brasil nesta circunstância bolsonarista. De forma escorreita, automática, natural, eu diria, chegamos à conclusão de que temos de encarar o ­País pragmaticamente, sem ceder a sonhos democráticos de imediato impossíveis. Bolsonaro resulta de um turvo período marcado por uma sequência de golpes para nos impor o governo da demência.

Neste nosso empenho para enfrentar a prioridade de nos livrarmos o mais rapidamente possível de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo percebemos que nada, absolutamente nada, substitui Lula como antídoto a esta crise de raiva e loucura, claramente destinada à destruição do País. Não há como evadir dos compromissos marcados pelo calendário golpista, de sorte a apontar no ex-presidente a única saída possível, embora obrigados a esperar ainda nove meses. O ex-presidente sempre foi o candidato de CartaCapital e, desta feita, apraz a Belluzzo e a mim confirmar esta benfazeja tradição de apoio com o sentido de SOS lançado em meio à tempestade, mas de efeito seguro.

Anima-nos a percepção de que Lula se dispõe a uma tarefa renovada como se tivesse percebido mais profundamente os grandes problemas do País: o desequilíbrio social monstruoso a nos tornar o­ ­país mais desigual do mundo e a inércia de um povo que ainda não se fez nação e não foi ensinado a se dar conta dos vexames sofridos. Contamos, Belluzzo e eu, com a anuência de quem realizou o milagre de manter CartaCapital de pé, ou seja, Manuela Carta, secundada por Mara Lúcia da Silva, minha valente e polivalente secretária há 40 anos.

Cabe aqui uma referência importante ao crescimento da influência que debaixo de Bolsonaro foi granjeada à corporação fardada, cada vez mais ignorante, primitiva e incompetente. O general Eduardo Pazuello e a expressão alvar do vice-presidente Hamilton Mourão são bons exemplos desta desagradável situação.

CartaCapital apoia incondicionalmente a candidatura de Lula nas próximas eleições, lamenta apenas que tenhamos de esperar por nove meses

Certo é que, neste panorama, a exibir tristemente um Brasil destruído, a tarefa de Lula se afigura bem mais imponente do que aquela da sua primeira vitória nas urnas, em 2002. Era o tempo em que eu pregava sangue na calçada para resolver os problemas do País. Ele me disse: “Calma, até vou enfiar a casa-grande nos meus discursos, mas com todo o cuidado, porque a casa-grande existe e tem de ser tomada como ela é”. Recomendou-me também cultivar a esperança e eu perguntei aos meus botões por que haveria de atender àquele pedido. Esperança no que viria, e veio um primeiro mandato cauteloso, mas de excelentes resultados.

Agora, Lula volta a sugerir esperança e desta vez não me custa entender o sentido da sua solicitação. Neste exato instante, Lula representa a única esperança para afastar de vez Bolsonaro e seu bolsonarismo, o governo da demência e da destruição sistemática do País inteiro, do Oiapoque ao Chuí. E aquela antiga recomendação a favor da esperança ganha um sentido e uma amplidão nunca dantes navegados.

Belluzzo e eu, no entanto, alimentamos muito mais que uma esperança. De fato, trata-se de uma indestrutível certeza de um retorno ao passado com a visão mais apurada, mais exata dos problemas do Brasil. Não somos viajantes da ilusão, os fiéis de uma religião quimérica, os prisioneiros de uma crença tão inútil quanto falida de antemão. Ao apoiar Lula cogitamos de nós mesmos, cidadãos honrados de um país em busca de redenção.

Daí o retorno de CartaCapital à tradição do apoio irrestrito, incondicional ao único obstáculo surgido no caminho demente do ex-capitão transformado em presidente da República nesta nossa floresta de infinitos enganos. Nos 20 anos que separam a primeira eleição de Lula, o mundo inteiro mudou muito, em certos casos radicalmente, e o próprio ex-presidente tem viajado mundo afora com o evidente objetivo de avaliar a profundidade das transformações. Nestas viagens, faz questão de ser acompanhado por aquele que foi seu ex-chanceler, Celso Amorim. Este é um nome que já brilha imperiosamente na perspectiva do futuro. •

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1190 DE CARTACAPITAL, EM 6 DE JANEIRO DE 2022.

CRÉDITOS DA PÁGINA: RICARDO STUCKERT

Mino Carta

Mino Carta
Diretor de Redação de CartaCapital

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