Tributar o 1% e transferir renda aos mais pobres pode aumentar o PIB em 2,4%

Segundo estudo de economistas da USP, a medida não altera o orçamento do governo e provoca 'efeito multiplicador' no mercado

Foto: iStock

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Economia

Uma a política de tributação aos mais ricos a fim de transferir recursos aos mais pobres poderia, segundo uma análise de cenário envolvendo programas como o Bolsa Família e o auxílio emergencial, provocar um aumento de 2,4% no PIB e uma recuperação consistente da atividade econômica no País.

A conclusão foi levantada por economistas Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA/USP e publicada em nota técnica nesta segunda-feira 15.

Com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares, foi analisada a “grande disparidade na proporção da renda consumida por cada estrato” e como essa característica de consumo dos brasileiros poderia diminuir a desigualdade e impulsionar a economia sem acrescentar gastos ao governo federal.

A cada 100 reais transferidos do 1% mais rico para os 30% mais pobres, há uma expansão de 106,70 reais na economia

“Enquanto os 10% mais pobres gastam cerca de 90% da sua renda adicional em consumo, o valor cai para 24% entre o 1% mais rico”, escrevem os economistas Rodrigo Toneto, Theo Ribas e Laura Carvalho. “Uma rede de proteção social financiada integralmente por meio de impostos sobre o topo da pirâmide pode beneficiar a economia como um todo, ao dinamizar a demanda agregada.”

 

 

 

Os estudos de projeção realizados pelo grupo mostram que, a cada 100 reais transferidos do 1% mais rico para os 30% mais pobres, há uma expansão de 106,70 reais na economia.

No caso do auxílio emergencial, por exemplo, que pagava até 1200 reais para famílias lideradas por mulheres mães, cada 100 reais do benefício aumentam a renda agregada – a soma de salários, aluguel, juros e lucros da população – em 140,00 reais.

Entre possíveis valores para uma renda básica, o estudo faz uma projeção com valor mensal de 125 reais per capita para os 30% mais pobres, valor financiado diretamente com impostos sobre o 1% mais rico. A medida beneficiaria pessoas que vivem sem qualquer garantia do básico para a sobrevivência. E também impulsionaria o “efeito multiplicador” do consumo sobre a economia.

Com isso, calculam os economistas, a implementação de uma política semelhante poderia ter um impacto positivo de 2,4% no PIB, o Produto Interno Bruto, que soma todos os bens e serviços produzidos pelo País no ano.

Um dos endossos citados pelo estudo vem do Fundo Monetário Internacional (FMI) que, em sua última nota técnica de monitoramento fiscal do mundo em tempos pandêmicos, apontou a opção de “transferências focalizadas para proteger os mais vulneráveis financiadas por impostos progressivos sobre a renda”.

“Esquemas neutros do ponto de vista fiscal, que não elevam o endividamento do governo, ainda assim podem ser importantes mecanismos de recuperação econômica em um contexto de alta capacidade ociosa, além de garantir uma distribuição de renda mais justa e melhores condições de vida para a base da pirâmide”, escrevem.

Leia na íntegra a nota técnica dos pesquisadores da USP.

 

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