Tombo do PIB em 2020 mostra que o agro é tudo, mas não é dois

A queda de 4,1%, embora ruim, foi melhor do que se esperava e projetava no início da pandemia, avaliam analistas

 (Foto: iStockPhoto)

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Economia

A agricultura foi o único setor que escapou da queda generalizada da economia brasileira em 2020: cresceu 2%, contribuindo para amenizar a queda geral de 4,1% do Produto Interno Bruto, anunciada nesta manhã pelo IBGE. 

Já o setor de serviços, que agrega mais de 70% da atividade no País, encolheu 4,7%; a indústria recuou 4,5 %; o consumo do governo diminuiu 4,7%, e das famílias emagreceu 5,5 %. O investimento (ou Formação Bruta de Capital Fixo) perdeu 0,8%.

Este foi o pior resultado anual do PIB desde o início do Plano Real, em 1995, e a terceira maior queda desde 1901, segundo a série histórica compilada pelo Ipea. E interrompe uma sequência de três anos de crescimento, entre 2017 e 2019, cujo acumulado de 4,6% foi praticamente zerado pelo desempenho de 2020. 

Analistas ressaltam, entretanto que a variação, embora ruim, foi melhor do que se esperava e projetava no início da pandemia. As previsões do boletim Focus indicavam retração superior a 6%, e houve previsões de queda de 10%. O FMI chegou a projetar uma queda de 9,1%.

Para o presidente do Conselho Federal de Economia, Antonio Corrêa de Lacerda, o PIB “caiu menos do que se esperava” por conta da aprovação do auxílio emergencial. “Lembrando que a proposta original do governo era 200 reais e o Congresso foi que ampliou e foi isso que segurou.” Também contribuíram, avalia, as medidas de antecipação do 13º salário dos pensionistas do INSS, a liberação do FGTS, que evitaram uma queda mais pronunciada do consumo das famílias quando há 33 milhões de brasileiros fora do mercado de trabalho.

“O autoengano de que a economia haveria de se recuperar e crescer 4% neste ano se mostra muito improvável”, adverte Lacerda, que não está otimista com o futuro. “O desemprego aumentou, o crédito continua caro e a situação das empresas, difícil. Muito provavelmente teremos uma recessão no primeiro trimestre deste ano. O segundo, na melhor das hipóteses, terá crescimento zero. Qualquer desempenho melhor dependerá do segundo semestre, nada porém superior a 2% ou 2,5% – e isso sobre uma queda de 4,1%. Ou seja, continuaríamos abaixo dos níveis de 2019.”

Por isso, Lacerda considera “imprescindíveis” o auxílio emergencial e outras medidas capazes de amenizar a recessão em curso, como socorro a pequenas e médias empresas, crédito mais acessível e uma nova antecipação do 13º dos aposentados. 

Sua avaliação é semelhante à do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “Se as ações emergenciais trouxeram algum alívio para a crise econômica brasileira em 2020, o outro lado da moeda é que o término dos programas em 2021 coloca em risco a continuidade da recuperação, especialmente diante do aumento dos casos de Covid-19, das incertezas em relação à vacinação, de medidas mais restritivas à mobilidade das pessoas e às atividades econômicas e ao desemprego em patamares recordes”, diz nota do instituto.

Para consultoria de investimentos Levante, a situação da economia brasileira não é tão positiva, e a recuperação prevista para 2021 pode ser menos pujante do que se esperava no início deste ano. Entre as razões para isso, os analistas destacam o ‘ruído político’ e as intervenções do governo nos preços dos combustíveis e nos impostos.

A Associação Brasileira da Indústria de Base (Abdib) está um pouco mais otimista, e indica um possível crescimento de 3% para 2021 – previsão que “poderá ser substancialmente afetada por fatores referentes a novas rodadas de auxilio emergencial e a velocidade que o plano de vacinação da população for colocado em prática”, diz comunicado da entidade.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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