Economia

Presidente da Petrobras diz que empresa vai seguir preços de mercado

José Mauro Coelho participou de call com analistas na manhã desta sexta-feira. Diretor da estatal lembrou que tabelamento não funciona

Presidente da Petrobras diz que empresa vai seguir preços de mercado
Presidente da Petrobras diz que empresa vai seguir preços de mercado
José Mauro Ferreira Coelho, novo presidente da Petrobras. Foto: Reprodução
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O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, disse que a empresa vai continuar seguindo os preços de mercado como forma de gerar riqueza para a sociedade e evitar o desabastecimento.

O executivo participou da apresentação de resultados financeiros do primeiro trimestre deste ano que foi transmitida pela internet. Ontem, a estatal anunciou lucro líquido de R$ 44,561 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O resultado representa uma alta de 3.718,4% em relação ao R$ 1,16 bilhão obtido no mesmo período do ano passado.

– Não é só preço do barril. É gestão responsável que tem sido feita nos últimos anos. Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado. É uma condição necessária para a geração de riqueza não só para a empresa, mas para toda a sociedade brasileira, fundamental para a atração de investimentos do país e para garantir o suprimento dos derivados que o Brasil precisa importar – disse ele.

Coelho lembrou ainda que o Brasil hoje é importador de vários derivados como diesel, GLP (gás de botijão), gasolina e querosene de aviação (QAV).

Pouco antes da divulgação do resultado, o presidente Jair Bolsonaro fez duras críticas aos lucros da estatal, menos de um mês depois de ele trocar o comando da empresa.

A Petrobras está sem reajustar os preços do diesel e gasolina nas refinarias desde o dia 11 de março. Nas últimas semanas, representantes dos importadores vêm sinalizando que a defasagem de preços pode gerar falta de combustíveis em alguns locais do Brasil.

Dados da Abicom, que representa as importadores, apontam que nesta sexta-feira a defasagem média do diesel está em 21% (R$1,27 por litro) e da gasolina, em 17% (R$0,78 por litro).

Perguntado sobre os riscos de desabastecimento, Cláudio Mastella, diretor de Comercialização e Logística da estatal, disse que a empresa vê o cenário hoje “com cautela”:

– O mercado é atendido por várias empresas. Não temos visibilidade dos demais agentes. Enxergamos com cautela o cenário atual devido aos baixos estoques de diesel nos tanques de armazenagem (no exterior) – afirmou ele.

Mastella disse ainda que a empresa vêm reforçando a atuação em suas operações no exterior, como em Houston, Roterdã e Cingapura. Ele citou a crise da Covid-19 e a guerra na Ucrânia como principais motivos para a instabilidade global.

– Estamos mantendo contato com as cadeias globais sejam armadores e tradings. Isso permite monitorar os fluxos de derivados e as demandas regionais. E com isso buscamos antecipar risco.

Rafael Chaves, diretor de Relacionamento Institucional e de Sustentabilidade da estatal, afirmou que a Petrobras pratica preços de mercado.

– Só existem duas opções. Ou é um preço de mercado. O preço de mercado vai equilibrar a oferta e a demanda. O preço tem um papel informacional. Esse mecanismo de preço é uma forma democrática de passar informação entre muitos compradores e vendedores e equilibrar a oferta e a demanda. Ou é preço tabelado. E já se viveu isso no passado no Brasil e alguns vizinhos tentam também e é uma solução que não funciona – afirmou ele.

Chaves disse que a Petrobras “defende preços de mercado”:

-É o que a legislação exige da gente e é isso que garante a mitigação de riscos de desabastecimento de mercado. É importante que se respeite os preços do mercado.

O presidente da Petrobras lembrou, em sua apresentação, que a estatal vai seguir com o plano de negócios que já havia sido estabelecido pela empresa antes de sua chegada à estatal, mês passado:

-Seguiremos comprometidos e aderentes à estratégia delineada ao nosso plano estratégico.

Ele destacou a ênfase aos ativo do pré-sal. Em cinco anos, vão entrar em operação 13 das 15 plataformas previstas. Isso vai proporcionar aumento de produção em petróleo e gás, afirmou ele.

-Temos a perspectiva de aumento de 500 mil de barris de óleo equivalente (boe) em nossa produção nos próximos cinco anos.

Citou a continuidade na venda de ativos, com “ajuste de portfólio”, com operações que geram menor retorno financeiro e com menor aderência ao planejamento estratégico. Lembrou também os acordos com o governo para se desfazer de refinarias e ativos de gás natural.

– Esses processos permitem que outras empresas desenvolvam outros recursos. Isso vai fortalecer a economia brasileira.

Entre os investimentos, Coelho afirmou que vai destinar US$ 7 bilhões em refino e gás natural nos próximos cinco anos com aumento de segurança e eficiência energética.

A companhia informou ainda vai distribuir R$ 48,5 bilhões em dividendos a seus acionistas. Grande parte do valor se refere a antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2021, quando teve lucro recorde de R$ 106 bilhões. Rodrigo Araujo Alves, diretor financeiro da empresa, disse que a política de dividendos permite que, além de dividendos trimestrais, a empresa pode pagar dividendos extraordinários a depender do resultado.

 

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