Economia

O PIB brasileiro vai na contramão do mundo — e economistas não vislumbram sinais de melhora

O resultado conseguiu encolher pelo segundo trimestre consecutivo. Ou seja, o País está, tecnicamente, em recessão

Foto: Ascom/SDR Foto: Ascom/SDR
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A despeito do desemprego elevado, da alta capacidade ociosa e do retrocesso da pandemia, o PIB brasileiro conseguiu encolher pelo segundo trimestre consecutivo. Ou seja, o País está, tecnicamente, em recessão.

“É desastroso! É muito fácil crescer quando a atividade cai vertiginosamente como aconteceu no ano passado. E é isso que os demais países estão fazendo, estão crescendo fortemente, enquanto nós estamos abaixo da média mundial, abaixo da média da OCDE”, lamenta o professor Pedro Rossi, da Unicamp. Rossi também chama atenção para o fato de que os componentes do PIB que sustentaram o crescimento entre o final do ano passado e o primeiro semestre de 2021, isto é agropecuária e exportação, são os mesmos que agora alimentam a recessão.

“A indústria de transformação, para variar, e energia também puxaram o PIB para baixo. Mas a recuperação dos serviços — efêmera em função do comportamento do emprego e da renda — e da construção impediram a queda do PIB total”, complementar Nelson Marconi, da FGV. Ele também chama atenção para o comportamento da taxa de investimento, totalmente incompatível com o baixo nível de atividade. “A taxa de investimento está no patamar observado no terceiro trimestre de 2014, acima do patamar observado nos três trimestres de 2005 e 2006, e não há motivo estrutural que explique este comportamento.”

Os economistas não vislumbram sinais de melhora. “O gasto público está emperrado pela austeridade fiscal, que freia o crescimento, e o gasto privado está emperrado pela ausência de perspectivas, pela falta de emprego, a queda do salário real e a inexistência de uma política pró-crescimento e pró-emprego”, afirma Rossi.

“Se não tivermos uma estratégia clara orientada ao crescimento sustentável, com estabilidade de preços e redução de desigualdades, continuaremos nesse cenário por muito tempo, infelizmente”, complementa Marconi, depois de observar que o valor do PIB acumulado em 12 meses no 3t 2021, desconsiderando os efeitos inflacionários , está no patamar observado no primeiro trimestre de 2013. “Passaram-se mais de oito anos e estamos no mesmo lugar.”

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