Economia

O estado de alerta no Ministério da Fazenda após novos ataques entre EUA e Irã

O encarecimento do petróleo força para cima o preço do diesel e da gasolina. Segundo Dario Durigan, o Brasil não será ‘sócio da guerra’

O estado de alerta no Ministério da Fazenda após novos ataques entre EUA e Irã
O estado de alerta no Ministério da Fazenda após novos ataques entre EUA e Irã
O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Washington costa/MF
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O governo Lula (PT) começou a retirar neste mês subvenções a combustíveis dadas por causa da guerra no Irã e pretendia remover em breve outros subsídios. Mas uma possível nova escalada do conflito, no embalo de afirmações de Donald Trump, deixa agora uma interrogação no ar. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a equipe econômica está em “estado de alerta”. 

“A declaração de hoje mostra que a gente não pode abaixar guarda, que nós temos que seguir atentos no monitoramento diário de qual é o impacto da guerra na vida das pessoas no Brasil”, disse Durigan a CartaCapital nesta quarta-feira 8. “A avaliação sobre a retirada dos próximos subsídios será feita pari passu com a situação da guerra. Quando a gente vê um recrudescimento, quando a gente vê uma piora na situação da guerra, isso nos alerta, porque vamos fazer a dosagem da retirada do subsídio ou não a depender da situação.” 

Pouco antes da entrevista no gabinete do ministro, Trump havia declarado na Turquia, às margens de uma reunião da Otan, que o cessar-fogo com o Irã “acabou” e que o país persa será atacado “com força”. A cotação internacional do petróleo disparou. No início do dia, o barril custava perto de 70 dólares. Após a manifestação trumpista, aproximou-se de 80 dólares.

O encarecimento do petróleo força para cima o preço do diesel e da gasolina. Foi por esse motivo que, a partir de março, o governo adotou subvenções nos dois combustíveis. Um subsídio de 35 centavos por litro de diesel foi retirado em 1o de julho, quando o conflito parecia sob controle e em vias de um desfecho.

“Temos instrumental, nós temos ferramentas para ir acompanhando a evolução desse processo, que é inerentemente volátil”, disse Durigan. “Quando começamos a retirar o subsídio, reconhecemos que tinha havido uma mudança de patamar. Tínhamos chegado a um preço do barril do petróleo de 120 dólares e, quando anunciamos a retirada da primeira parte da subvenção do diesel, estávamos abaixo de 70.”

A incerteza sobre os rumos a guerra de EUA e Israel contra o Irã é consensual no mundo, de acordo com Durigan. Ele afirmou ter conversado com ministros das finanças de nações do Oriente Médio ao viajar aos EUA, para reuniões do FMI e do Banco Mundial, e ouvido relatos de que “o grau de incerteza segue e seguirá pairando na região”.

Segundo ele, o que a incerteza não muda é atitude do governo diante da situação. “Estou aqui norteado por princípio, não por conjuntura. O princípio é: o Brasil não vai ser sócio da guerra”, disse Durigan. “Se o petróleo volta a aumentar, eventualmente a receita da União volta a aumentar, vou calibrar as medidas para que as pessoas não sofram com o custo da guerra. Então, o nosso plano está dado, e a gente está aberto desde o começo a fazer essa adaptação de tempo de retirada, de montante de retirada de subsídio, de modo a não prejudicar as famílias brasileiras.”

O aumento do imposto de exportação sobre o petróleo é a principal fonte de financiamento dos subsídios ao diesel e à gasolina. “Quando tenho aumento de receita, aumento de entrada (de dólares) por conta da guerra — porque o Brasil construiu resiliência energética no tempo com pré-sal, com valorização de biocombustível —, não vou usar isso só para fazer fiscal. Vou usar para socializar e fazer mitigação de custo da guerra no País.”

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