Economia

Guedes alega que o ‘inferno’ da inflação passou, enquanto o IPCA supera 12% em 12 meses

Um levantamento aponta que a inflação brasileira é a 4ª maior entre as nações do G20 e a 6ª no continente americano

O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Evaristo Sá/AFP
O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Evaristo Sá/AFP
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, alegou nesta quinta-feira 19 que o Brasil já saiu do “inferno” da inflação, enquanto outros países “estão indo para o inferno”. A afirmação, porém, não se sustenta quando confrontada com dados oficiais sobre o índice.

O IPCA fechou abril em 1,06%, após uma alta de 1,62% em março. Trata-se da maior variação para um mês de abril em 26 anos (em 1996, chegou a 1,26%). Em 2022, o IPCA acumula elevação de 4,29%. Em 12 meses, o acumulado é de 12,12%, o maior nível para o período de um ano desde outubro de 2003, quando alcançou 13,98%.

Nesta quinta, o governo de Jair Bolsonaro elevou de 6,6% para 7,9% a projeção para a inflação de 2022. A estimativa consta de um relatório elaborado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia.

Mesmo assim, durante evento em São Paulo, Guedes declarou: “Está faltando manteiga na Holanda, tem gente brigando na fila da gasolina no interior da Inglaterra, que teve a maior inflação dos últimos 40 anos e vai ter dois dígitos já, já. Eles estão indo para o inferno. Nós já saímos do inferno, conhecemos o caminho e sabemos como se sai rápido do fundo do poço”.

Como suposta medida para conter o avanço da inflação, o Brasil também sofre com a disparada dos juros. A taxa Selic está em 12,75% ao ano, a maior em mais de cinco anos.

Conforme mostrou CartaCapital, as afirmações de que o movimento global de aumento da inflação é idêntico em diferentes países não se sustentam. Essa é uma das principais alegações de Bolsonaro quando questionado sobre a elevação do custo de vida e a perda do poder de compra da população.

Levantamento da Trading Economics, plataforma que reúne e analisa os dados oficiais de quase 200 países, demonstra que a inflação brasileira é a quarta maior entre as nações do G20 e a sexta no continente americano.

No G20, vivem situação pior que a brasileira apenas a Turquia, cuja inflação em 12 meses chega a 69,97%, a Argentina (58%) e a Rússia (17,8%). A quinta colocada na lista é a Holanda, cujo índice de inflação em 12 meses, já atualizado em abril, é de 9,6%.

Ao analisar apenas o continente americano, o ranking demonstra que a inflação mais alta é a da Venezuela, com acumulado em 12 meses de 222%. Atrás vêm Suriname (61,5%, com dados atualizados em janeiro), Argentina (58%), Haiti (23,95% até janeiro) e Cuba (23,3% até janeiro). Em sexto lugar vem o Brasil, seguido pelo Paraguai (11,8%, já atualizado em abril).

CartaCapital
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