Economia
Em acareação, Vorcaro e ex-presidente do BRB se contradizem sobre origem de carteiras
A acareação entre os dois ocorreu por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes durante acareação conduzida no fim de dezembro pela Polícia Federal sobre a origem das carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB.
O conteúdo da oitiva foi revelado pelo portal Poder360 nesta quinta-feira 29. Mais tarde, o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, tornou os vídeos públicos.
A divergência se deu após Vorcaro afirmar não ter ciência à época das negociações que os papéis vendidos pelo Master eram da Tirreno, uma empresa recém-inaugurada e que não tinha sequer registros de movimentação de dinheiro, mas sim de terceiros, de forma genérica. Os papéis da Tirreno se revelaram desvalorizados em seguida.
“A gente anunciou que faria vendas de originadores terceiros, nem eu sabia do nome Tirreno naquela ocasião, mas a gente [ele e Paulo Henrique] chegou a conversar por algumas vezes, que um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria”, afirmou o então chefe do Master na gravação.
O contrato entre o banco e a Tirreno foi fechado em dezembro de 2024. O documento regula uma parceria de compra de operações de crédito consignado originadas ou intermediadas pela empresa e estabelecia, por exemplo, um sistema de responsabilidades, seguranças e auditorias que permitia ao Master requisitar a correção, substituição ou recompra de créditos caso não estivessem em conformidade ou fossem objeto de contestação.
O ex-presidente do BRB, no entanto, disse que acreditava que a origem dos créditos havia sido do próprio Master. “O meu entendimento, que coloquei mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava comprando e revendendo para a gente”, declarou Paulo Henrique.
De acordo com ele, as inconsistências só ficaram claras após as operações. “A partir daí é que a gente começou a questionar quem eram os originadores específicos. Ao longo do mês de maio, recebemos a informação de que eram créditos originados pelo Tirreno”.
A acareação entre os dois ocorreu por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Ele é relator do inquérito que apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e miram Vorcaro.
As investigações apontam para a fabricação de carteiras de crédito insubsistentes que, depois de vendidos a outro banco e passados pelo crivo do Banco Central, eram substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
Em 18 de novembro deste ano, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master e de sua corretora de câmbio, inviabilizando o processo de venda da instituição que havia sido anunciado na véspera.
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