Drummond: PIB terá a pior década de todos os tempos e não é por causa da pandemia

Recessão à vista agrava quadro econômico deteriorado por seis anos de austeridade

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Economia

A previsão reafirmada pelo Banco Central na sexta-feira 14, de uma queda do PIB em -10,94% no segundo trimestre, após o declínio de -1,5% no primeiro trimestre, mostra o País à beira da recessão, tecnicamente definida como dois trimestres consecutivos de PIB negativo, mas se no resto do mundo a economia também vai mal sob efeito da pandemia, aqui está ainda pior depois de seis anos de PIB acumulado negativo em consequência da política de austeridade radical praticada desde Joaquim Levy, ministro da Economia no governo Dilma, até Paulo Guedes, a cada dia com menos condições de levar adiante o seu plano de arrocho fiscal sem fazer concessões à estratégia política de Bolsonaro, atraído pelos dividendos de popularidade do programa de renda emergencial.

A projeção do BC é muito próxima daquela feita pelo IPEA, de um declínio do Produto Interno Bruto de -10,5% no segundo trimestre, e ambas são significativamente superiores ao cálculo do próprio Ministério da Economia, de -7,5% no período.

O FMI previu em abril queda do PIB em 80% dos países no ano e isso significa que o resto do mundo não poderá ajudar muito o Brasil com aumento de importações dos nossos produtos e serviços, prejudicados também pelas políticas do governo Bolsonaro de desestímulo à indústria e à pesquisa e desenvolvimento, de estímulo à devastação da Amazônia, de desrespeito sistemático a padrões mundiais em várias áreas e de alinhamento automático aos Estados Unidos.

Executivos do sistema financeiro ouvidos na pesquisa Focus do Banco Central divulgada na segunda-feira previram um PIB negativo de -5,62% neste ano. A estimativa aproxima-se do cenário intermediário projetado pelo Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de recuo do PIB em -6,4%. A pesquisa utiliza um modelo desenvolvido com base na matriz de insumo-produto, o que permite avaliar tendências no consumo, exportações e investimentos desagregados em 123 bens e serviços e apresenta os resultados em 12 setores produtivos com base na classificação das Contas Nacionais do IBGE. No pior cenário do estudo da UFRJ, o PIB cairia até -11% e no melhor deles, -3,1%.

A visão do quadro econômico atual em perspectiva histórica é preocupante. A década de 2011 a 2020 será a pior da economia brasileira em 120 anos, com crescimento anual médio do PIB entre 0,1% e 0,3%, calculou Marcel Balassiano, do Ibre-FGV. É importante levar em conta, entretanto, que mesmo sem a pandemia, o avanço médio do PIB seria medíocre, em torno de 0,8%. Muito pior, portanto, mesmo sem a Covid-19, do que o comportamento do PIB na chamada década perdida, dos anos 1980, quando o crescimento médio anual foi de 1,6%.

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Editor da revista CartaCapital

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