Ações da Bayer despencam após nova condenação de herbicida cancerígeno

Desde a compra da Monsanto, a empresa viu suas ações perderem cerca de 40% do valor

A empresa alemã sofre na Bolsa de Valores

A empresa alemã sofre na Bolsa de Valores

Economia

As ações do grupo alemão Bayer caíram mais de 10% na manhã desta quarta-feira 20 na bolsa de valores de Frankfurt, na Alemanha. A degringolada acontece no dia seguinte de a Justiça americana considerar, pela segunda vez, o glifosato – princípio ativo do herbicida Roundup, marca comprada pela Bayer – como um produto cancerígeno.

Na terça-feira 19, um júri de São Francisco, na Califórnia, decidiu que o Roundup, desenvolvido pela multinacional Monsanto e vendido à Bayer, contribuiu para o desenvolvimento do câncer no septuagenário Edwin Hardeman, um aposentado americano. Por enquanto, o júri só se pronunciou sobre o perigo que representa o glifosato. A responsabilidade legal da multinacional será julgada na segunda fase do processo.

Em comunicado, a Bayer disse que ficou decepcionada com o novo veredito. Desde que comprou a Monsanto, por 63 bilhões de dólares, as ações da Bayer perderam cerca de 40% de seu valor, devido às suspeitas de que o glifosato é cancerígeno. Somente nos Estados Unidos, mais de 8 mil queixas estão em curso visando o herbicida da Monsanto.

Em agosto passado, um tribunal de São Francisco havia condenado Monsanto a pagar US$ 289 milhões para Dewayne Johnson, atingido pelo mesmo câncer, acreditando não só que o Roundup era a causa, mas que a Monsanto tinha agido intencionalmente para dissimular os riscos relacionados ao glifosato. Este montante foi depois reduzido para US$ 78,5 milhões. Paralelamente, a Bayer recorreu da sentença. A gigante agroquímica diz que “a ciência confirma que os herbicidas à base de glifosato não causam câncer”.

Leia também: A Bayer começa a sentir o peso da Monsanto

Na União Europeia, após dois anos de debates acalorados, os estados-membros do bloco renovaram, no final de 2017, a licença do glifosato por cinco anos.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Rádio pública francesa que produz conteúdo em 18 línguas, inclusive português. Fundada em 1931, em Paris.

Compartilhar postagem