Economia

A Semana do Mercado: PIB da China e greve de servidores no Brasil entre os destaques

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 17

Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas
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A semana, que começa morna com os mercados dos Estados Unidos fechados devido ao feriado de Martin Luther King Jr., é avara em indicadores, sendo que os principais já foram divulgados nesta manhã: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto e o Índice Geral de Preços – 10(IGP-10) de janeiro. Também no exterior, o indicador mais importante: o PIB da China de 2021 já saiu, mostrando um crescimento vigoroso, porém com ressalvas importantes que denotam desaceleração (tanto que o Banco do Povo da China, o banco central chinês, reduziu os juros básicos no domingo).

Além disso, continuam no radar as ameaças de greve dos servidores públicos federais – amanhã, classes da elite do funcionalismo irão parar para aumentar a pressão por reajustes salariais.

O IBC-Br marcou uma expansão de 0,69% em novembro em relação a outubro, um pouco acima da expectativa de alta de 0,65%, de acordo com pesquisa da agência Reuters. O resultado foi o primeiro no azul desde junho e o mais forte desde a alta de 1,67% vista em fevereiro de 2021. Com isso, o crescimento acumulado em 12 meses, até novembro de 2021, do IBC-Br foi de 4,30%. A taxa de novembro foi influenciada pela alta dos serviços (+2,4%), ainda decorrente da retomada da mobilidade com o avanço da vacinação no fim de 2021, e pelo varejo (+0,5%). Já indústria caiu 0,2%, ainda prejudicada pela falta de insumos.

Quanto ao IGP-10 de janeiro, a Fundação Getúlio Vargas informou alta de 1,79% no período, superando as expectativas (1,61%), resultado influenciado pela forte elevação dos preços do minério de ferro (+24,56%) no atacado. Em 12 meses, o índice ficou em 17,82% (ante +17,3%).

As expectativas para a inflação dos cem economistas de mercado consultados semanalmente pelo Banco Central e divulgadas no relatório nesta segunda 17 subiram, tanto para este ano quanto para o próximo, mas o cenário para a política monetária permaneceu inalterado. A estimativa para a alta do IPCA subiu a 5,09% em 2022 e 3,40% em 2023, de 5,03% e 3,36%, respectivamente, na semana anterior. Ambos estão acima do centro da meta de inflação do BC, que é de 3,5% para este ano e 3,25% para 2023, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para o PIB, a estimativa de crescimento neste ano teve ajuste de 0,01 ponto percentual para cima, a 0,29%, mas melhorou para 2023. A expectativa agora é de crescimento de 1,75% no ano que vem, de 1,70% antes. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros deve encerrar este ano a 11,75% e o próximo a 8,0%, sem alterações. Atualmente a Selic está em 9,25%.

Nada disso animou a bolsa, que abriu hoje em baixa, depois de ter subido 4,09% na semana passada. Por volta das 12h, o Índice Bovespa recuava 0,56%, aos 106.266 pontos. Assim como na semana passada o Ibovespa subiu enquanto os mercados internacionais caíam, hoje ela cai enquanto as bolsas no mundo sobem. No entanto, o fato de as bolsas norte-americanas estarem fechadas reduz consideravelmente a liquidez mundial, o que sempre amplifica a volatilidade dos mercados.

Aqui, destaque para a queda do minério, que teve baixas nos portos chineses, o que derruba ações como a da Vale (VALE3), com queda de 0,52%, Usiminas (USIM5), que cai 2,80%, e CSN (CSNA3), com baixa de 2,06%. A performance das varejistas também é ponto negativo no pregão desta segunda. A Magazine Luiza (MGLU3) cai 3,05% e a Via (VIIA3), 0,14%.  O depressor do varejo não é segredo: a inflação.

“Acreditamos que a inflação de alimentos, energia elétrica (+21% em dezembro) e combustíveis (+49% em dezembro), que juntos respondem por grande parte da renda mensal (cerca de 30%, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE), pesou significativamente no poder de compra e na confiança do consumidor”, afirma o Goldman Sachs, em análise sobre o desempenho das varejistas.

Os contratos futuros dos Depósitos Interfinanceiros (DI – o dinheiro que os bancos emprestam entre si) está sem tendência definida. Enquanto o DI para janeiro de 2023 operava estável, a 11,95%, o contrato com vencimento em janeiro de 2025 caía 1 ponto-base, para 11,25%, e os para janeiro de 2027 e 2029 subiam, respectivamente, um ponto-base e quatro pontos-base.

O dólar comercial recuava 0,02%, negociado a 5,51 reais na venda.

William Salasar
Editor de Finanças em CartaCapital.

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