Economia

A Semana do Mercado: Juros dos EUA, Ômicron e aumentos do funcionalismo dominam a pauta

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 10

Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas
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A segunda semana do ano abre com os radares do mercado voltados para o aperto monetário nos Estados Unidos e o potencial do país de reduzir a atratividade de ativos de mercados emergentes; a disseminação da Covid 19 aumentando a pressão sobre os sistemas de saúde da Europa e dos EUA; e “uma nova dor de cabeça fiscal” no Brasil, como economistas do Citi descrevem as pressões recentes do funcionalismo público por reajustes salariais, após várias categorias de servidores anunciarem planos de paralisações e entregas de cargos. O receio é de que o governo busque algum mecanismo para abrir novo espaço no Orçamento de modo a acomodar tais demandas, fato que pioraria ainda mais a percepção de risco fiscal do País.

Os dados do mercado de trabalho norte-americano divulgados na sexta-feira 7 reforçaram leitura de iminente normalização da política monetária do Federal Reserve, o Fed, banco central dos EUA. Apesar do número de criação de vagas (199 mil) ter vindo bem abaixo da expectativa (450 mil), mostrou que o mercado de trabalho norte-americano continua aquecido, pois não só a taxa de desemprego recuou de 4,2%, para 3,9%, como os salários nominais avançaram 4,7% na comparação interanual.

“Esses dados reforçam os sinais de uma normalização da política monetária nos EUA mais rápida e mais intensa do que o esperado meses atrás. Acreditamos que o Fed elevará a taxa básica três vezes em 2022, sendo a primeira alta em março, e que o juro continuará subindo 0,25 p.p. por trimestre até atingir 3% em 2023”, escreveram os economistas do Bradesco em seu boletim desta manhã aos clientes. Já o banco de investimentos Goldman Sachs espera que o Fed suba os juros quatro vezes neste ano e que comece o processo de redução de seu balanço patrimonial em julho, ou até antes.

Diante desse cenário, os títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos chegaram a ser negociados com rendimento de 1,80% ao ano, aproximando-se dos 2%, marca que não superam desde 2019. Em consequência, o dólar estava em alta de 0,22% frente a uma cesta de seis outras divisas internacionais, enquanto as moedas dos emergentes, como peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano, oscilam entre estabilidade e leve queda em relação à moeda norte-americana. Aqui, por volta das 13h, o dólar comercial à vista avançava 0,92%, a 5,68 reais na venda.

Acompanhando o movimento dos mercados internacionais, a bolsa brasileira abriu em queda. O Ibovespa, por volta das 13h, caía 1,55%, aos 101.126 pontos. As taxas dos contratos futuros de juros interbancários, que avançaram na semana passada ao ritmo da juros norte-americanos, ficaram estáveis nesta manhã, refletindo a percepção de que o Banco Central está conseguindo ancorar as expectativas para a inflação de 2023 e de 2024, como se observa no primeiro Relatório Focus do ano, divulgado hoje. Para 2023, caiu de 3,41% para 3,36%, um pouco mais próxima da meta de 3,25%. Para 2024, a projeção permaneceu em 3%. O mercado voltou a prever, pela quinta semana seguida, uma inflação menor em 2021, saindo de 10,01% para 9,99%. Para 2022, no entanto, a projeção para o IPCA continua sendo de 5,03%.

A meta de inflação perseguida pelo BC é de 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Amanhã sai o primeiro número de inflação do ano, o IPCA, medida oficial de inflação do BC de dezembro, apurado pelo IBGE. Também na terça 11, o IBGE e a Conab divulgam dados da safra, relevante ante as crescentes preocupações com a produção agrícola decorrentes dos recentes choques climáticos, como aponta a Federação Brasileira de Bancos no seu boletim semanal. Inflação e safra balizarão as expectativas dos agentes e investidores, sobretudo em relação às taxas de juros. O Focus mostrou que a taxa básica de juros, a Selic, passou a ser calculada em 11,75% ao final deste ano – antes, estava em 11,50%. Para 2023, a conta segue em 8,0%. Na última reunião do ano passado, o BC elevou a taxa básica de juros a 9,25%, e volta a se reunir nos dias 1º e 2 de fevereiro.

Já as expectativas dos 100 economistas de mercado consultados semanalmente pelo BC para elaborar o relatório seguem piorando: a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto para este ano voltou a cair e recuou para 0,28%, ante 0,36% na edição anterior e 0,50% há quatro semanas. A projeção para o crescimento econômico em 2023 também piorou, recuando para 1,70%, contra 1,80% na semana anterior.

William Salasar
Editor de Finanças em CartaCapital.

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