Economia

A Semana do Mercado: China dá tom sombrio em semana fraca em indicadores

No Brasil, os preços dos combustíveis também devem mostrar algum arrefecimento, embora com variações ainda elevadas

Foto: Peter PARKS / AFP
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Com poucos dados, indicadores e eventos relevantes para movimentar os mercados, parece que as bolsas, principalmente as norte-americanas, poderão respirar um pouco após seis semanas consecutivas de forte volatilidade e uma baixa acumulada de 11,5%. Mas um dos principais indicadores macroeconômicos esperados para esta semana, as vendas no varejo na China, salgaram o dia: a queda de 11,1% em abril, em comparação com o ano passado, foi muito pior do que o esperado, assim como a retração de 2,9% da produção industrial, no mesmo período. As projeções eram de queda de 5,4% nas vendas e de alta de 0,5% para a produção industrial.

“Os dados de abril foram ainda mais fracos do que o esperado e apontam para uma forte contração da atividade econômica”, afirmou o economista sênior para a China da Capital Economics, Julian Evans-Pritchard, em relatório. Ele diz que ainda que a economia deve começar a se recuperar neste mês, mas de forma “morna”.

Na sequência dos dados desanimadores divulgados pelo órgão central de estatísticas chinês, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) anunciou a manutenção em 2,85% da taxa sobre empréstimos de médio prazo de um ano (MLF) de algumas instituições financeiras, no valor equivalente de 100 bilhões de iuanes (14,7 bilhões de dólares), compensando a mesma quantia de tais empréstimos com vencimento no mesmo dia, como o mercado já antecipava em vista da desvalorização do iuan (mais de 6% em relação ao dólar nas últimas quatro semanas) e a inflação renitente.

As más notícias pesaram sobre a bolsa de Xangai e na abertura dos pregões nos EUA, com o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York abrindo em baixa de 0,14%, a 32.152,15 pontos; o Standard & Poor’s com queda de 0,27% e a Nasdaq com perda de 0,66%.

Aqui, no entanto, a Bolsa de Valores abriu com o índice Bovespa operando em alta de 0,68%, em 107.646 pontos. Cumprindo seu pape de carros-chefes do índice, Vale e Petrobras subiam 2%, com a valorização do minério de ferro e do petróleo nos mercados internacionais.

Com uma pauta econômica rasa, sobretudo devido à retomada da greve dos funcionários do Banco Central que interrompe a publicação das séries de estatísticas e indicadores da autoridade monetária, em particular do Relatório Focus – o barômetro semanal das projeções macroeconômicas de economistas do mercado financeiro. Assim sendo, do ponto de vista dos indicadores econômicos, o Monitor do PIB ganha relevância entre os dados de atividade, novamente a única proxy mensal do PIB a ser conhecida (sem defasagem), já que o IBC-Br do Banco Central não será divulgado, indica o boletim semanal da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

“Após os indicadores setoriais (indústria, serviços e varejo) mostrarem um 1º trimestre positivo, os números do Monitor de março, que serão divulgados amanhã pela FGV, devem calibrar as apostas para o desempenho do PIB no período, que será divulgado pelo IBGE no próximo dia 2 de junho”, assinala a entidade.

Sem o Focus para balizar as expectativas de inflação, o IGP-10, da FGV, trará na terça mais dados sobre a alta de preços. O indicador dá uma leitura complementar ao IPCA divulgado na semana passada, que mostrou desaceleração, mas ainda está em níveis elevados. A estimativa é que o IGP-10 seja de 0,3%, ante alta de 2,48% no mês anterior, refletindo a acomodação dos preços no atacado, com recuo de commodities importantes, como milho, soja e minério de ferro. Os preços dos combustíveis também devem mostrar algum arrefecimento, embora com variações ainda elevadas, mantendo-se como fonte de preocupação, observa a Febraban.

William Salasar
Editor de Finanças em CartaCapital.

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