Cultura

Veja o que rolou na primeira Comic Con das favelas, a PerifaCon

‘Isso é tudo o que artistas negros e da periferia precisam, um espaço pra conhecer os trabalhos uns dos outros e trocar experiências’

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A Fábrica de Cultura do Capão Redondo sediou no domingo 24 a primeira edição da Comic Con das favelas: a PerifaCon. Confira o que rolou no evento que promoveu ao público, em sua maioria negro e periférico, um espaço de entretenimento, estudo e discussão sobre a cultura nerd, pop e geek.

Crianças, adolescentes, adultos e idosos. Todas as faixas etárias estavam presentes nos corredores da Fábrica. Uma longa fila em frente ao local mostrava o grande interesse e ansiedade das pessoas para participar do evento que teve nove horas de duração.

Uma longa fila se formou na entrada da Fábrica de Cultura do Capão Redondo, onde aconteceu a primeira PerifaCon (Fotos: Marina Souza)

“A gente tenta levar a informação pra quebrada, temos os olhos voltados pra periferia”, explicou Caio Leal, um dos integrantes do podcast Quebradev, enquanto panfletava na fila.

Uma arena com shows de bandas e grupos de dança marcava o primeiro ambiente de atração. Foi também ali que os nerds vestidos de cosplay puderam disputar o título de melhor fantasia. Homem-Aranha, Mulher-Aranha, Batman, Super Choque, Deadpool, cientistas malucos e grandes personagens do mundo geek roubaram a cena.

A estudante Victoria Miranda, de 16 anos, mora no bairro Jardim Ângela, próximo ao Capão Redondo, e disse que a PerifaCon é algo muito importante. “Eles conseguiram fazer algo totalmente gratuito e acessível.” O amigo dela, Vinicius William, de 18 anos, participou da oficina Aliança Potteriana e preparou a Felix Felicis, uma poção da sorte do universo Harry Potter.

O bruxo mais famoso do mundo também esteve na feira nerd do Capão Redondo (Foto: Marina Souza)

Os fãs de quadrinhos puderam contar com a presença de uma vasta opção de livros, camisetas e acessórios do cenário HQ. As sessões de autógrafos trouxeram nomes como Lucas Andrade, Joe Prado, Adiana Melo e Rashid.

Load, de 28 anos, foi um dos convidados a autografar suas obras. Ele contou que quando produziu a série de ilustrações Rap nos Quadrinhos teve a intenção de colocar seus heróis da “época de pivete” como uma fonte de representatividade para negros e moradores das periferias de São Paulo. Mano Brown, dos Racionais, Drik Barbosa, Negra Li, Sabotage, Emicida e Rincon Sapiência são alguns dos rappers retratados como super-heróis em suas obras.

Karol Conká, Rincon Sapiência e Black Alien viraram HQ na PerifaCon (Foto: Marina Souza)

Não é a primeira vez que Maria Freitas, artista e proprietária da Vespertino Arts, expõe suas obras em um evento, mas até então nunca tinha participado de “algo tão grande”, como ela própria definiu.

“Só tem preto aqui. Pretos nerd, pretos de todos os tipos, uma coisa maravilhosa”, comemorou.

“Isso é tudo que artistas negros e da periferia precisam, um espaço pra conhecer os trabalhos uns dos outros, trocar experiências e criar uma rede de fortalecimento. É como uma teia de vários corações, maravilhoso, não tenho palavras.”

Assim como ela, o designer gráfico Diego Garcia estava profundamente emocionado em vender suas obras no chamado Beco dos Artistas, que reuniu uma série de ilustradores de diferentes periferias da cidade.

Leia também: PerifaCon, a Comic Con da quebrada, reúne cultura pop em SP

Segundo ele, a realização de eventos do gênero em lugares periféricos é uma grande oportunidade aos moradores da região, que não costumam ter acesso a espaços como a Comic Con Experience, E3 e BGS.

O artista Lucas Lima criou o personagem Vazio para expor suas reflexões a respeito da invisibilidade da história negra. (Foto: Marina Souza)

A mesa de debate “Mulheres no Mundo Nerd” contou com a presença de Juliana Oliveira, do Minas Nerds, Raquel Motta, programadora de jogos, e Adriana Melo, do Chiaroscuro. As palestrantes falaram sobre o machismo sofrido no mundo dos games e HQs, lotando a sala do evento.

Debate sobre mulheres no mundo nerd lotou sala do evento realizado no Capão Redondo (Foto: Marina Souza)

Projetada em outubro do ano passado, a PerifaCon foi financiada coletivamente através de uma campanha que arrecadou R$ 7 mil e teve patrocínio da Chiaroscuro, uma das realizadoras da Comic Con Experience (CCXP).

Cosplayers de vários tipos disputaram o título de melhor fantasia

Fãs de HQ aproveitaram a vasta opção de livros, camisetas e acessórios

Adultos e crianças lotaram salas de jogos online, gameboard, RPG e desenhos

Marina Lourenço

Marina Lourenço Estagiária de Jornalismo do site de CartaCapital

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