Teresa Cristina fala de criação de bloco, disco, lives e pesadelo Bolsonaro

A cantora conta ainda sobre o começo da carreira na Lapa, no Rio de Janeiro, e a paixão pelo carnaval

Foto: Divulgação

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Cultura

Teresa Cristina lembra da Lapa, há cerca de 20 anos, quando o bairro começou a ganhar nova vida até tornar-se o epicentro da música no Rio de Janeiro.

“Foi onde aprendi a cantar. Trabalhava no Detran. Aí fui cantar no Semente. As pessoas iam lá se encontrar, não exatamente para ver a Teresa. Tive que conquistar essas pessoas. Isso eu aprendi na noite”, conta a artista sobre o local onde começou a firmar sua carreira musical.

“Passei a respeitar os meus parceiros de trabalho e o quanto é difícil e importante cantar na noite. São muitas dificuldades. Fala muito mais de nós do que da própria noite”.

A cantora relembra das madrugadas no Semente (bar já extinto), quando recebia Darcy do Jongo, bem vestido, e o ritmo do caxambu comendo solto.

Ela sente falta também do Carioca da Gema, outra bar da Lapa onde passou a se apresentar e é considerado um ícone da revitalização do bairro. “Às vezes me pego rindo sozinha de uma história que lembro da Lapa”, diz.

O carnaval de rua do Rio, do qual teve participação grande no seu ressurgimento, rememora as primeiras saídas do bloco Cordão do Boitatá. “A gente ia andando pelo centro antigo e encontrando toda aquela população de rua, foliões, gente que estava bêbada e não sabia que tinha bloco. Ia arrastando gente. Tinha poucas pessoas. Não era essa multidão que é hoje”.

O Cordão do Boitatá cresceu tanto que não pode mais desfilar pelas ruas e, por isso, passou a realizar um show na praça XV durante o carnaval – com a Teresa Cristina no palco, claro.

 

Lives

Para o Carnaval 2022, afirma estar organizando um bloco para tocar somente samba-enredo. “Aqueles sambas dos anos 1970 e 1980, com aquele andamento. Quero trazer de volta tudo que o Rio de Janeiro produziu de riqueza cultural no carnaval. E, ao mesmo tempo na rua, de graça. Entregar isso às pessoas”, afirma.

Mas não vai largar o Cordão do Boitatá. “É um amor muito grande. Só vou parar de sair no Boitatá quando não puder mais”. A preocupação maior, no entanto, é se terá mesmo carnaval.

“Eu amo carnaval de rua, da avenida. Eu amo samba-enredo. Mas não sei em que condições a gente vai estar quando o carnaval chegar. Então prefiro não fazer projeção”.

Além de se aprontar para colocar seu bloco na rua, Teresa Cristina está começando a ensaiar um show com direção de Adriana Calcanhoto e também se preparando para gravar um novo disco, dessa vez autoral. Existem também planos de lançar um livro no ano que vem, que ela está aos poucos está escrevendo.

Por conta da agenda mais apertada, as suas lives, que ficaram famosas na pandemia e iniciaram em março de 2020, estão ocorrendo agora somente nas segundas e quintas-feiras.

“Fui fazendo para não deixar de ter contato com as pessoas. Nesta pandemia as pessoas passaram uma solidão muito grande. Vi que elas entravam na live para se distrair. O que pude fazer coletivamente, eu consegui. E também dizer às pessoas que elas são importantes. Que a gente precisa manter esse contato, mesmo que não seja pessoalmente”.

Sobre Bolsonaro, afirma estar preparando o “figurino para quando for preso”. Teresa Cristina demonstra revolta com a situação: “A gente está envolvida no mais alto grau de bandidagem. Não tem outra palavra. Você fica vendo a CPI da Covid e o nível da cara de pau das pessoas. É um absurdo”.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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