Cultura

Na Berlinale, documentário sobre Amazônia questiona hidrelétricas

“O Reflexo do Lago” faz parte da seleção Panorama do Festival. O filme conta a história da construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará

O cineasta paraense Fernando Segtowick estreia seu primeiro longa, “O Reflexo do Lago”, na Berlinale. Foto: RFI
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O documentário “O Reflexo do Lago”, de Fernando Segtowick, faz parte da seleção Panorama, uma das principais mostras do Festival de Cinema de Berlim. O filme, que conta a história da construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, é um alerta sobre as ações do homem na Amazônia e seu impacto no mundo. “Vivemos todos no mesmo planeta”, lança o diretor em entrevista exclusiva à RFI na capital alemã, pouco antes da estreia na 70ª edição da Berlinale.

Viver à base de lamparina como principal fonte de luz, ao mesmo tempo que se mora ao lado de uma usina que gera eletricidade para boa parte do país. Esse é apenas um dos paradoxos mostrados no documentário de Segtowick, diretor paraense que estreia seu primeiro longa.

O projeto se inspirou do livro de fotografia “O Lago do Esquecimento”, de Paula Sampaio, no qual a Amazônia é imortalizada em preto e branco, uma escolha estética que o diretor decidiu manter em seu documentário. O resultado é um filme atemporal e, ao mesmo tempo, contemporâneo.

 

Em um momento em que se fala tanto da Amazônia dentro e fora do Brasil, principalmente após as imagens dos incêndios gigantescos que deram a volta ao mundo no ano passado, “O Reflexo do Lago”, uso o caso da barragem construída nos anos 1980 como exemplo do impacto negativo na paisagem, mas também na vida das pessoas. “Os moradores dessa região são o grande reflexo do que é a construção de grandes projetos na Amazônia”, avaliao diretor.

Repetir os mesmos erros?

Segtowick estima que a hidrelétrica paraense levanta questões sobre as políticas de desenvolvimento nessa região do país. “O que a gente aprendeu de Tucuruí? Será que estamos repetindo os mesmos erros? Como contemplar todo mundo com os benefícios desses projetos? ”, enumera o diretor.

Para ele, um dos grandes problemas é a falta de empatia com as pessoas que moram na região. “Se continuarmos a olhar para a Amazônia como um lugar para ser explorado e conquistado, como desde os anos 1940, desde Getúlio Vargas, sem olharmos os que já estão ali e as características da região, continuaremos provocando os mesmos erros”, avalia.

O diretor concorda que seu documentário traz “mais perguntas do que respostas”, mas considera que a presença na Berlinale pode ajudar na conscientização de que a questão amazônica diz respeito a todos, e não apenas aos brasileiros. “As pessoas que consomem produtos do Brasil também têm uma responsabilidade”, lança, martelando que uma das principais indagações do filme é “em que planeta queremos viver?”

“Morando nas cidades, ficamos muito desconectados da natureza. E eu provoco essa reflexão, mostrando que vivemos em um lugar só. Estrear o filme aqui é provocar para essa plateia internacional, superqualificada, que a gente precisa dar conta de muitas coisas nesse planeta, pois não temos outro”, finaliza.

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