Cultura

Mia Couto: “Aquilo que falo como escritor traduz minha visão do mundo”

Escritor moçambicano mais traduzido no exterior está no Brasil para o lançamento da nova edição de ‘Grande Sertão: veredas’

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Para enfrentar o silenciamento, o poder do testemunho. Para revisitar a memória, a linguagem poética. A literatura não segue uma fórmula, e não esquece da história mesmo quando esta não quer ser lembrada por conta dos traumas. Mia Couto, escritor moçambicano mais traduzido no exterior e que está no Brasil para o lançamento da nova edição de Grande Sertão: veredas, já escreveu sobre a guerra civil que assombrou e dividiu seu país por 17 anos, e afirma: “O ideal é que houvesse a possibilidade de haver um mundo cheio de mundos, em que valessem várias linguagens”.

“Viver é muito perigoso”, diz Riobaldo, protagonista criado por Guimarães Rosa para contar a história do livro, que se mistura com outras tantas. A trajetória do jagunço pelo sertão mineiro evoca universos distintos dentro da poética impecável, o que faz da obra uma experiência de sentidos físicos e imagéticos única na literatura brasileira. 

Para a edição, a Companhia das Letras priorizou o texto original de 1956 e adicionou mais leituras e análises  – incluindo uma correspondência trocada entre Clarice Lispector e Fernando Sabino. Nesta, a escritora se sentencia: “Fico até aflita de tanto gostar”.

Em entrevista a CartaCapital, Mia Couto crava: “Aquilo que falo como poeta, como escritor, traduz minha visão do mundo.” Ele se debruçou sobre a escrita que fala de uma nação, sobre a influência dos discursos que nada comunicam, e sobre seu novo trabalho, interrompido pela tragédia na terra natal. Com uma visão dupla da tragédia por também ser biólogo, o autor é um dos engajados em ajudar na arrecadação de fundos para a reconstrução de Moçambique – o faz por meio da Fundação Fernando Leite Couto, da qual é presidente.

Assista ao vídeo:

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani
É repórter do site de CartaCapital.

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