Cultura

Governo Bolsonaro demite núcleo da Fundação Casa de Rui Barbosa

Cinco pesquisadores foram dispensados de uma das mais importantes instituições culturais do País

Governo Bolsonaro demite núcleo da Fundação Casa de Rui Barbosa
Governo Bolsonaro demite núcleo da Fundação Casa de Rui Barbosa
Casa de Rui Barbosa (Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil)
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Considerada uma das principais instituições culturais do Brasil, com trabalho voltado à captação e acervo privados, a Fundação Casa de Rui Barbosa sofreu cortes importantes em seu corpo de pesquisadores.

O Diário Oficial da União publicou nesta quarta-feira 8 a saída do diretor do centro de pesquisa da fundação, Antonio Herculano Lopes. A lista de dispensas inclui ainda a jornalista Jöelle Rouchou, a ensaísta Flora Sussekind, o sociólogo José Almino de Alencar e o cientista político Charles Gomes.

Dos cinco pesquisadores, apenas a jornalista Jöelle Rouchou não foi exonerada, o que indica que ela pode continuar na fundação. A presidente do museu, Letícia Dornelles, informou por meio de sua assessoria de imprensa que os desligamentos foram uma decisão de governo que visam à otimização administrativa.

Letícia, que é apresentadora de TV, roteirista e escritora, foi nomeada em outubro de 2019 em meio a outras indicações polêmicas do governo Bolsonaro para a área da cultura. Entre elas, a escolha de Sérgio Nascimento de Camargo para a Fundação Palmares, cuja nomeação foi suspensa. Militante de direita, Camargo se define “contrário ao vitimismo e ao politicamente correto”. Ele nega a existência de racismo, motivo pelo qual condena datas como a da Consciência Negra e, também, a importância do nome de Zumbi dos Palmares para a história brasileira.

A Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ) repudiou a nomeação de Letícia Dornelles para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa na época, dizendo que a escritora “não tem nenhuma experiência de pesquisa acadêmica, representa grave ruptura institucional, que viola princípios básicos de respeitabilidade e convivência democrática entre as instituições.”

“A AdUFRJ repudia de forma veemente a instrumentalização político-ideológica que estão sofrendo as instituições brasileiras, em particular as instituições de ensino e pesquisa, cuja comunidade vem sendo emudecida nos processos de escolha de seus dirigentes.

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