Entidade escolhida para gerir a Cinemateca pode ter uma bomba-relógio nas mãos

A Sociedade de Amigos da Cinemateca, escolhida pelo governo federal após o incêndio em São Paulo, já administrou a instituição antes

. Foto: Ronaldo Caldas/Divulgação/MinC

. Foto: Ronaldo Caldas/Divulgação/MinC

Cultura

A Sociedade de Amigos da Cinemateca (SAC) foi escolhida pelo governo federal para gerir a Cinemateca Brasileira. O resultado do chamamento público lançado um dia após o incêndio que atingiu o galpão da entidade, na Vila Leopoldina, em São Paulo, foi divulgado no Diário Oficial da União na manhã desta segunda-feira 18.

De acordo com o que CartaCapital apurou, outras duas entidades concorreram ao chamamento. Mas a única com experiência do audiovisual era a SAC. 

A escolha é, de um lado, um alívio, dado o fato de ser a SAC composta por gente que não apenas entende da atividade da Cinemateca como tem encabeçado a luta pela defesa da instituição. A SAC, além disso, já geriu a Cinemateca anteriormente.

O avanço das etapas burocráticas é, de outro lado, preocupante, dadas as armadilhas presentes no próprio chamamento. Como explicou CartaCapital anteriormente, o edital tem detalhes que podem dificultar a gestão da entidade. Após a publicação da reportagem, o governo alterou o valor do contrato de gestão de 10 milhões de reais para 14 milhões de reais.

Esse aumento é, porém, considerado por muitos insuficiente, sobretudo porque o chamamento foi elaborado antes do incêndio.

Outro ponto preocupante é que o chamamento não foi acompanhado de um contrato de gestão que é aquilo que, na prática, define em detalhes a relação entre a entidade vencedora e o governo.

Duas fontes ouvidas em off por CartaCapital dizem que assumir a Cinemateca com as condições do edital é uma bomba-relógio. Sem negar as dificuldades do que virá pela frente, outros dos envolvidos na luta pela entidade comemoram, porém, a vitória da SAC.

 

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