Bruna Caram grava Gonzaguinha com roteiro de Jean Wyllys

Em sétimo álbum, cantora trata de afeto e luta a partir da obra do compositor, que neste ano completa 30 anos da trágica morte

Foto: George Magalhães/Divulgação

Foto: George Magalhães/Divulgação

Cultura

Gonzaguinha segue um artista atualíssimo. A sua obra mistura músicas engajadas e de sentimentos profundos. Bruna Caram condensou essas duas vertentes do cantor e compositor no projeto Afeto e Luta.

O roteiro das composições é de Jean Wyllys, que, além da política, tem trabalhos no currículo de direção artística – como, por exemplo, do memorável encontro no palco, em 2007, de Jussara Silveira, Teresa Cristina e Rita Benneditto, que depois virou CD e DVD.

“Apresentei a ideia do Gonzaguinha e ele ficou super emocionado. Ele fez o roteiro e também a pesquisa do repertório”, conta Bruna sobre o trabalho com Jean Wyllys, que tem a cantora e compositora na sua lista de preferências musicais.

“Pelo menos três canções que ele incluiu nunca tinha ouvido. E ajudou a dosar o afeto e a luta (no repertório)”.

Gonzaguinha morreu aos 45 anos num trágico acidente com o carro em que dirigia, numa estrada do Paraná, depois de um show, em 29 de abril de 1991. Bruna deve lançar o álbum com a obra do cantor-compositor em abril de 2021, como uma homenagem aos 30 anos de sua ausência.

As composições de Gonzaguinha, autor de poucas parcerias, costumam atiçar até hoje tanto comportamentos combativos como paixões. Um caso raro na música brasileira.

“Gonzaguinha fala de política nas canções sem rancor, com a certeza de que está do lado certo, defendendo a humanidade, a dignidade, a liberdade. E as canções românticas tratam do amor pelo ser humano”’, diz ela. “E a gente precisa estar abastecido de afeto para lutar”.

Engajamento

Bruna Caram conta que os trabalhos recentes dela passaram a ter posicionamento e questões sociais. Isso a fez mergulhar na obra de Gonzaguinha.

O seu álbum Alívio, lançado em 2020 em CD e DVD, possui músicas bastante conscientes. “Um projeto deságua no outro. O projeto Afeto e Luta é o aprofundamento do Alívio”.

A cantora reconhece que por ter começado a carreira musical muito nova, evitou temas polêmicos.

“Só que a maternidade (o filho dela fez um ano e o DVD foi gravado quando ela estava grávida de oito meses) me colocou em um lugar de não aceitar muitas coisas que relativizaria em outra época”, afirma, em meio aos tempos difíceis que vivemos. “Não me permito mais abaixar a cabeça”.

No ano passado, Bruna foi ainda convidada para fazer parte de uma campanha de proteção a crianças e adolescentes contra o abuso sexual. “Fiz uma canção. Na pandemia sabia que isso estava aumentando muito”. A música chama-se Ninguém Mexe Comigo.

O DVD Alívio, que já tem algumas músicas disponíveis na internet, será lançado completo em fevereiro.

O trabalho sobre a obra de Gonzaguinha está em pré-produção e, além do roteiro de Wyllys, terá produção do violonista Norberto Vinhas.

No fim de 2020, Bruna trabalhou no lançamento do seu segundo livro, o Pequena Poesia Presente (editora Cândido).

Formada em Música pela Unesp, Bruna toca acordeon, violão e cavaquinho e estudou teatro, danças brasileiras, balé clássico e circo.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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