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STF: ‘Bolsonaro nomeará alguém com alto grau de subserviência e fanatismo religioso’, diz advogado
‘É lamentável o presidente dizer que quer nomear alguém que tome cerveja com ele. Estamos lascados’, afirma Marco Aurélio de Carvalho
A decisão do presidente Jair Bolsonaro de indicar para o Supremo Tribunal Federal o ministro André Mendonça, da Advocacia-Geral da União, comunicada em reunião ministerial nesta terça-feira 6, desperta preocupação, em especial pelos critérios adotados para a escolha. A análise é do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas e fundador da Associação Brasileira de Juristas para a Democracia.
“Temos que reconhecer que ele tem uma formação jurídica sólida. Entretanto, esse não é o único predicado. A Constituição fala de dois pilares fundamentais para a indicação de qualquer nome para o STF: a reputação ilibada e o conhecimento jurídico”, explicou Marco Aurélio em entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube.
“Recebo com preocupação porque nenhum desses critérios foi levado em consideração pelo presidente, que está falando de um outro critério que ele introduziu: tem que ser um ministro terrivelmente evangélico. E isso traz preocupação para todo mundo”, prosseguiu.
No governo Bolsonaro, Mendonça deixou a AGU para assumir o Ministério da Justiça e posteriormente retornou ao posto de advogado-geral. Na Justiça, afirma Marco Aurélio de Carvalho, ele “continuou uma prática daquele ex-juiz [Sergio Moro] e seguiu a lógica de aplicar a Lei de Segurança Nacional para perseguir desafetos do presidente”. Um exemplo é a investigação da Polícia Federal contra os responsáveis por dois outdoors que comparavam Bolsonaro a um ‘pequi roído’.
Em 25 de junho, durante evento em Chapecó (SC), Bolsonaro declarou que indicaria para o STF “quem toma cerveja” com ele. “Não basta ter um bom currículo, mas tem que falar a minha linguagem”, acrescentou, na ocasião.
“É lamentável ouvir o presidente dizer que quer nomear alguém que tome cerveja e tenha afinidade ideológica com ele. Isso quer dizer que estamos lascados. Ele vai nomear alguém que tem um alto grau de subserviência e um alto grau de fanatismo religioso, o que atrapalha, qualquer que seja o credo”, criticou Marco Aurélio.
Assista à íntegra da entrevista:
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