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Secretaria do governo fez reuniões com organizadores de atos do 7 de Setembro

Procuradoria-Geral da República investiga se o governo federal participou da organização dos atos antidemocráticos

Registro do encontro entre organizadores dos atos do dia 7 de setembro e governo federal publicado nas redes sociais. Foto: Reprodução
Registro do encontro entre organizadores dos atos do dia 7 de setembro e governo federal publicado nas redes sociais. Foto: Reprodução
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O governo federal de Jair Bolsonaro recebeu por duas vezes pessoas investigadas por organizar atos antidemocráticos para o dia 7 de setembro. Os encontros ocorreram nos dias 10 e 11 de março na Secretaria Especial de Articulação Social, braço da Secretaria de Governo. As duas reuniões constam na agenda oficial, mas a pauta não foi revelada. A informação é do portal UOL.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga agora se o governo federal auxiliou na organização dos atos antidemocráticos, já que os participantes são alvos de apurações por fazerem ameaças a ministros e pedirem o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. As duas reuniões ocorreram poucos dias antes da Polícia Federal deflagrar operação contra os organizadores. A operação teve como alvos principais o cantor Sérgio Reis e o deputado bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ).

Nas duas reuniões, o governo foi representado por Gabriele Araújo, secretária de Articulação Social, subordinada à ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo.

O primeiro encontro registrado na agenda oficial ocorreu no dia 10 de agosto com o ruralista Antonio Galvan, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), investigada no STF por incentivar os movimentos golpistas.

Galvan foi acompanhado da esposa Paula Boaventura e do diretor-executivo da Aprosoja, Fabrício Rosa. Os participantes, no entanto, afirmam que não representavam a associação na ocasião, mas sim o ‘Movimento Brasil Verde e Amarelo’, grupo de ruralistas apoiadores de Bolsonaro. O grupo já organizou outros atos em Brasília em apoio ao presidente.

Questionados sobre a pauta do encontro, tanto Galvan, quando o governo federal foram evasivos nas respostas. A Secretaria de Governo se limitou a dizer que tratou de ‘pautas de interesse dos solicitantes’. O ruralista, por sua vez, alega que fez apenas ‘uma visita de cortesia’.

O outro encontro do governo federal com responsáveis pelas manifestações antidemocráticas programadas para o dia 7 de setembro ocorreu já no dia seguinte, 11 de agosto. Desta vez, Gabriele Araújo recebeu os caminhoneiros Turíbio Torres, Juliano Martins e Marcos Antônio Pereira, conhecido como Zé Trovão. Todos foram alvos da operação da PF deflagrada dias depois. Pelas ameaças, eles estão proibidos de se aproximar do STF.

Além do encontro oficial, os manifestantes se encontraram com outros integrantes ligados ao governo, como o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno. O encontro foi registrado em foto nas redes sociais de Torres e Martins, apesar disso, o GSI nega que tenha havido reunião e afirma não conhecer os caminhoneiros. Recentemente o general defendeu a ‘constitucionalidade do golpe’.

Questionados pela própria PF sobre o tema da reunião com a secretaria do governo, os organizadores do ato disseram se tratar de pautas da Confederação Nacional de Transportadores Autônomos (CNTA). A mesma motivação, ‘pauta dos caminhoneiros’, é apontada pelo governo. A CNTA, porém, diz que ‘desconhece a agenda’.

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