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Moraes manda PF colher depoimento do presidente da Unafisco
A oitiva de Kleber Cabral ocorrerá nesta sexta-feira 20; em entrevista, ele afirmou que seria mais arriscado investigar altas autoridades do que membros do PCC
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal colha o depoimento do presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, na tarde desta sexta-feira 20. O dirigente da entidade, que reúne os auditores fiscais da Receita Federal, foi intimado dias após fazer declarações críticas ao STF em entrevistas à imprensa.
CartaCapital apurou que mandado de intimação recebido por Cabral nesta quinta-feira não informa qual o objeto da oitiva, nem o procedimento ao qual ela estaria relacionada. Também não se sabe se ele deporá na condição de testemunha ou investigado. Procurada, a Unafisco disse que não iria comentar. A assessoria do STF ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Em entrevista à GloboNews na véspera, o presidente da Unafisco disse que provoca mais temor aos servidores da Receita investigar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital do que o tribunal. Cabral criticava a operação da PF que mirou servidores do Fisco acusados de vazar dados sigilosos de ministros da Corte e de seus familiares. “Hoje é menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades”.
Ao jornal O Globo, por sua vez, o dirigente avaliou que a operação foi desproporcional. “A nossa leitura é que tem um certo método, era para dar um falso positivo, criar um discurso de vítima de que o STF foi atacado. A nossa percepção é que o objetivo é intimidatório porque as medidas foram muito desproporcionais”, afirmou.
No dia da batida policial, a entidade já havia divulgado nota na qual afirmou ver precipitação por parte do STF no caso. “Não é a primeira vez que, diante de alegações de vazamento, medidas de afastamento e restrições são adotadas antes da conclusão técnica dos fatos”. A Unafisco também apontou que a categoria poderia estar sendo usada novamente como “bode expiatório” para conter crises políticas e institucionais.
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