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‘Intenção não é atender a esses’, diz Bolsonaro sobre yanomamis

Em igreja na Flórida, o ex-presidente reforçou a intenção de extrair o ouro do território indígena

Foto: Reprodução
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O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) disse neste sábado 11, que a intenção não é “atender a esses” [Yanomamis], diante a “conflito de interesses” relacionados à terra indígena. 

A declaração aconteceu em encontro com brasileiros na igreja ‘Church All The Nations’ da Assembleia de Deus, nos Estados Unidos. 

“Se vocês pegarem apenas o Estado de Roraima, lá tem uma tabela periódica debaixo da terra e essa questão yanomami agora, a intenção não é atender a esses”, disse Bolsonaro, e em seguida reforçou fake news sobre composição da etnia indígena. 

“Porque ali está misturado: 40% da terra yanomami está no Brasil e 60% está na Venezuela. Uma região ourífera, riquezas incomensuráveis”, completou. 

A ideia de que a maior parte da comunidade indígena seria estrangeira foi desmentida pela presidente do Comitê Nacional dos Refugiados, ainda em janeiro. 

“São indígenas brasileiros em terras brasileiras, que estão sendo vítimas de um genocídio através da negligência de políticas públicas. É totalmente enganoso qualquer tentativa de vincular indígenas da Venezuela aos indígenas Yanomamis. A gente tem um fluxo de indígenas da Venezuela que estão sendo acolhidos, mas a realidade dessas pessoas nada tem relação com a realidade dos indígenas Yanomamis”, disse Sheila de Carvalho.

O ex-capitão também reforçou o que disse aos seus seguidores no Telegram, de que nos últimos 2 anos de seu governo realizou mais de 20 ações de saúde especializada nos territórios indígenas.

“Se não tivesse riqueza lá, não seria demarcado como terra indígena. Os interesses são muitos. [A população de Roraima] São o povo mais pobre no solo mais rico do mundo. Tentamos em 2021, com um projeto, libertá-los. Não conseguimos chegar ao final, mas a semente foi plantada“, afirmou Bolsonaro.

No entanto, entre 2018 e 2022 durante a gestão Bolsonaro, morreram 505 crianças Yanomami de até um ano, conforme registrado pelo Ministério da Saúde. Desde que o governo declarou emergência de saúde pública diante os severos casos de desnutrição severa e de malária, mais seis indígenas morreram. 

Também há indícios que o governo do ex-capitão descumpriu as ordens do Supremo Tribunal Federal sobre ações no território índigena. A Corte investiga se a gestão ofereceu dados falsos sobre a situação da população. 

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