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Com mais armas liberadas, maior o risco que ocorra aqui o que aconteceu nos EUA

Avaliação é do ex-ministro da Defesa e Segurança Raul Jungmann, que critica decretos assinados por Jair Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP
Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP
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O ex-ministro da Defesa e Segurança do governo Michel Temer, Raul Jungmann, afirmou que há preocupação nas Forças Armadas em relação à flexibilização da política de armas no Brasil.

“O armamento da população significa também ferir o papel constitucional das Forças Armadas, o que é da maior gravidade. Cria-se outro polo de violência”, disse em entrevista ao Estadão.

Para ele, o presidente Jair Bolsonaro tirou o debate do campo técnico e levou para a política.

“Até aqui o debate sobre armamento, desarmamento e controles se dava no âmbito da segurança pública. O presidente transpôs esse campo e levou para a política no momento em que defende o armamento dos brasileiros para defesa da liberdade. Não vejo ameaça real ou imaginária. Ao mesmo tempo, ele consubstancia esse seu desejo com mais de 30 regulamentações, seja através de lei, decreto ou portaria. Estamos diante de um fato muito preocupante para todos nós”.

“Quanto mais se liberam armas, mais corremos risco que ocorra aqui o que ocorreu no Capitólio”, emendou.

Na semana passada, Jungmann enviou uma carta aberta ao Supremo Tribunal Federal em que afirma que os decretos do presidente que ampliam o acesso a armas são “um nefasto processo” que gera “iminente risco de gravíssima lesão ao sistema democrático”.

No texto, Jungmann diz que “é inafastável a constatação de que o armamento da cidadania para ‘a defesa da liberdade’ evoca o terrível flagelo da guerra civil, e do massacre de brasileiros por brasileiros, pois não se vislumbra outra motivação ou propósito para tão nefasto projeto”.

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