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Centrais sindicais cobram impeachment: ‘Ultrapassou todos os limites’

Centrais sindicais cobram impeachment: ‘Ultrapassou todos os limites’

Nota conjunta foi divulgada por 4 das 5 maiores centrais sindicais e pede atitude imediata das instituições contra os ataques do presidente

(Fotos: Elineudo Meira/ @fotografia.75/Fotos Públicas)

(Fotos: Elineudo Meira/ @fotografia.75/Fotos Públicas)

Quatro das cinco maiores centrais sindicais brasileiras publicaram nesta quarta-feira 8 nota conjunta em que cobram a abertura imediata do processo de impeachment contra Jair Bolsonaro após as ameaças feitas pelo presidente nos atos antidemocráticos de 7 de Setembro.

Assinam a nota os presidentes Miguel Torres, da Força Sindical, Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores, Antonio Neto, da Central dos Sindicatos Brasileiros, e José Reginaldo Inácio, da Nova Central Sindical de Trabalhadores. Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores, não assina a nota, no entanto, já havia se posicionado de maneira semelhante, contrária aos ataques, logo após os discursos de Bolsonaro.

No texto, as entidades afirmam terem sido ‘deploráveis’ as declarações do ex-capitão nas manifestações da Avenida Paulista, em que Bolsonaro atacou Alexandre de Moraes e afirmou que não irá cumprir mais nenhuma decisão do ministro.

“Os discursos do Presidente soam como confissão: agitar contra a democracia e o Supremo Tribunal Federal é crime tipificado na Constituição da República Federativa do Brasil – crime de responsabilidade, no qual ele deve ser enquadrado imediatamente, abrindo-se o processo de impeachment”, escrevem as centrais.

Em seguida, cobram das instituições: “A Câmara dos Deputados, o Senado Federal, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal têm a obrigação de cumprir com seu papel constitucional e implementar o processo de impedimento, sem tergiversações”.

Os quatro dirigentes sindicais que assinam a nota confirmam que participarão dos atos contra o presidente programados para o próximo dia 12 de setembro, que contarão também com outros grupos como MBL e Vem Pra Rua. A CUT informou, por meio de nota, que ‘não participará, não convocará e não fará parte da organização’ de nenhum ato neste dia.

“Nossa linha é, sempre, frente ampla em defesa do Brasil e da democracia.”

Confira na íntegra:

Bolsonaro ultrapassou todos os limites. A hora é de decisão!

Foi deplorável a participação do Presidente Jair Bolsonaro nos atos antidemocráticos realizados no dia que deveríamos comemorar o 199º aniversário da Independência do Brasil. É inquestionável que o objetivo do Presidente e de seus apoiadores é dividir a Nação, empurrar o país para a insegurança, o caos e a anarquia, resultado da reiterada incitação ao rompimento da legalidade institucional, do descumprimento dos preceitos contidos na nossa Constituição democrática.

Os discursos do Presidente soam como confissão: agitar contra a democracia e o Supremo Tribunal Federal é crime tipificado na Constituição da República Federativa do Brasil – crime de responsabilidade, no qual ele deve ser enquadrado imediatamente, abrindo-se o processo de impeachment. A Câmara dos Deputados, o Senado Federal, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal tem a obrigação de cumprir com seu papel constitucional e implementar o processo de impedimento, sem tergiversações.

A pauta única de Bolsonaro, golpista e antidemocrática, é tão evidente que não ouvimos do presidente nenhuma palavra para aliviar a situação grave do emprego, do preço da carne e, principalmente, da cesta básica, dos aumentos da energia elétrica e dos combustíveis, dos baixos salários, ou seja, nada que interesse à população e aos trabalhadores ou que aponte para um projeto para o pais. Seu único interesse é permanecer aferrado ao poder mesmo que isso signifique romper a legalidade democrática, visto que é cada vez mais evidente seu isolamento político e a perda de apoio popular, em suma, seu projeto de reeleição escorre entre os dedos.

Conclamamos todos os setores políticos democráticos, as organizações representativas da sociedade civil, o mundo da ciência e da cultura, os trabalhadores e suas entidades sindicais a cerrar fileiras em defesa da democracia e das instituições da República. A maioria da população tem pronunciado que não aceita os ataques do presidente às instituições constituídas.

No próximo dia 12 de setembro será realizado um grande ato na Av. Paulista, em São Paulo/SP, pelo impeachment de Bolsonaro, ato que convocamos e participaremos. Nossa linha é, sempre, frente ampla em defesa do Brasil e da democracia!

É hora de decisão e a decisão clara é impeachment já!

São Paulo, 8 de setembro de 2021

Miguel Torres, Presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, Presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Antonio Neto, Presidente da CSB, (Central dos Sindicatos Brasileiros)
José Reginaldo Inácio, Presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores

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Repórter do site de CartaCapital

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