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Bolsonaro recua e enfatiza ‘parceria da China’ para produzir vacinas no Brasil

Bolsonaro recua e enfatiza ‘parceria da China’ para produzir vacinas no Brasil

O presidente que constantemente critica a ‘vacina chinesa’, ressaltou a importância do país na imunização dos brasileiros

Foto: Reprodução

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Em discurso na abertura da 13ª Cúpula do BRICS, coalizão formada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, nesta quinta-feira 9 o presidente Jair Bolsonaro recuou nas críticas à ‘vacina chinesa’ e ressaltou a importância da parceria entre com o país asiático para o programa de imunização dos brasileiros.

“Essa parceria tem se mostrado essencial para a gestão adequada da pandemia no Brasil, tendo em vista que parcelas expressivas das vacinas oferecidas à população brasileira são produzidas com insumos originários da China”, afirmou Bolsonaro em tom de agradecimento aos chineses.

Na declaração, o presidente também reforçou a importância das relações comerciais que mantém com a China e com os demais integrantes do bloco e lamentou que o encontro não pudesse ser realizado presencialmente.

O discurso é uma virada nas constantes críticas ao país asiático e seus produtos. Desde a campanha presidencial em 2018, não são raros os ataques proferidos contra os chineses.

A ‘vacina chinesa’ Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, ressaltada nesta quarta por Bolsonaro, foi um dos seus alvos mais recentes. Nos últimos meses, não foram poucas as ocasiões em que o ex-capitão levantou suspeitas infundadas sobre a eficácia do imunizante.

Recentemente, Bolsonaro chegou a dizer que quando fosse se vacinar, optaria por não receber a Coronvac, repetindo em seguida as falsas acusações sobre a pouca eficácia.

Além das críticas à vacina, o presidente já insinuou diversas vezes que o coronavírus pode ter sido criado em laboratório pela China. Em pelo menos duas ocasiões neste ano, ele levantou suspeitas sobre o papel do colega de BRICS em uma possível ‘guerra química’.

Após as declarações, a Sinovac, fabricante chinesa da Coronavac, cobrou o fim dos ataques por parte de Bolsonaro para que o Brasil seguisse tendo boas relações comerciais com a empresa.

Como consequência dos ataques, o envio de insumos para a produção de vacinas no Brasil, o chamado IFA, já atrasou em ao menos uma ocasião. Em maio, após atrasos na chegada do material, o Butantan alegou que “questões referentes à relação diplomática Brasil x China poderiam estar interferindo diretamente no cronograma de liberação de novos lotes de insumos”.

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Repórter do site de CartaCapital

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