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Nas mãos do inimigo

Palestinos na Cisjordânia são alvo da revanche de soldados e colonos israelenses

Funeral de uma das vítimas palestinas – Imagem: Zain Jaafar/AFP
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Mahmoud Abu ­Latifa cortava o cabelo preto e brilhante de seu sobrinho no estilo “cuia”, e estremeceu ao ouvir as notícias na tevê sobre os bombardeios em Gaza. “É só o que eu faço: corto cabelos e assisto ao noticiário. Isso está me deixando doente. Quero me livrar desta guerra horrível”, disse. Na véspera, Abu Latifa tinha decidido comprar pão numa cidade que exigia que ele passasse perto do posto de controle de Qalandiya, uma fortaleza com torres de vigilância e paredes de concreto queimadas, cobertas de grafite e pinturas com figuras políticas palestinas. “Percebi como fui idiota em passar por ali. Eles podem atirar em você facilmente e não se importam”, afirmou, em referência aos militares israelenses estacionados no posto de controle. “Eles querem vingança. Parece que estão dizendo: ‘Ou nós morremos ou você morre’. Não há meio-termo.”

O ataque sem precedentes do Hamas, que matou mais de 1,3 mil israelenses, com cerca de 130 mantidos em cativeiro em Gaza, foi recebido com uma dura reação das forças israelenses em toda a Cisjordânia. Além dos postos de controle fechados e das estradas vazias, os moradores de Ramallah temiam o aumento da violência por parte das forças militares e de segurança israelenses, assim como dos cerca de 700 mil colonos ­israelenses espalhados pela região.

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