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Geopolítica/ Interferência externa

As crises diplomáticas provocadas pelos EUA e pela Argentina

Geopolítica/ Interferência externa
Geopolítica/ Interferência externa
A embaixadora Viotti teve o visto revogado por Washington – Imagem: Rick Borjonas/ONU
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Eleições 2026

Em um ataque simultâneo, a Casa Branca e a Casa Rosada demonstraram outra vez a disposição de tentar interferir no processo eleitoral do Brasil. Na terça-feira 4, em uma decisão anunciada com antecedência, sem nenhuma surpresa, por Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Seria, segundo as autoridades norte-americanas, uma rea­ção à suposta demora de Brasília em aprovar as credenciais de Daniel Perez, um extremista de direita indicado por Trump para comandar a Embaixada dos EUA no País. Duas semanas atrás, o Itamaraty havia negado o visto a dois diplomatas escalados por Washington para colocar em dúvida o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras. “Atitude irresponsável”, afirmou o presidente Lula a respeito da revogação do visto. O Ministério das Relações Exteriores afirmou não se intimidar e não cogita apressar as credenciais de Perez. Viotti não será expulsa dos EUA, mas terá de solicitar outro visto caso se ausente do país. “A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, afirmou em nota o Itamaraty. Não por coincidência, o presidente argentino, Javier Milei­, voltou a insultar Lula, a quem chama de “ladrão” e “corrupto”. O governo brasileiro, que antes havia convocado o embaixador argentino para explicações, decidiu, diante dos novos ataques, rebaixar a relação diplomática com o vizinho e maior parceiro sul-americano. O embaixador brasileiro em Buenos Aires não voltará ao país enquanto Milei não mudar o tom ou não se retratar.

Bandeira branca?

Após meses de rusgas, o presidente Lula e o comandante do Senado, Davi Alcolumbre, se reuniram na terça-feira 4 na casa do ministro do STF, Alexandre de Moraes. O convescote contou com a participação de outro integrante da Corte, Cristiano Zanin. A intenção do encontro seria “quebrar o gelo”. A relação entre os dois estava estremecida desde que os senadores rejeitaram a indicação de Jorge Messias para o Supremo. Na sequência, Alcolumbre impôs várias derrotas ao Palácio do Planalto por meio de uma série de pautas-bomba.

Lava Jato/ Justiça tardia e falha

O CNJ aplica uma punição branda à juíza Gabriela Hardt

Hardt, denodada representante da República de Curitiba – Imagem: Redes Sociais

Descrita como “Moro de saias”, conhecida por fazer um “copia-e-cola” em uma sentença, uma das articuladoras do fundo de 2,5 bilhões de reais, surrupiado do dinheiro da Petrobras, para criar uma máquina eleitoral a serviço da República de Curitiba, a juíza Gabriela Hardt recebeu uma punição aquém do merecido do Conselho Nacional de Justiça. De certa forma, foi premiada com um período sabático remunerado. O CNJ suspendeu Hardt das funções por dois anos, mas manteve o pagamento integral dos salários. Relator do processo no conselho, Rodrigo Badaró viu imprudência da magistrada na homologação intempestiva (48 horas) do fundo. “Ninguém quer demonizar o interesse de recuperar dinheiro para o Brasil, mas nossa obrigação aqui é verificar se a juíza naquele momento deveria ter tido mais cuidado, adentrado mais na questão, deveria ter notificado as partes, consultado órgãos.”

P.S.: Após o Tribunal de Contas da União, foi a vez de a Justiça Federal de Santa Catarina absolver os réus da Operação Ouvidos Moucos. A ação, engendrada no desvario lavajatista, levou ao suicídio do ex-reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, que chegou a ser preso. Quem vai responder pelos abusos?

Ormuz sem pedágio

O Irã e Omã discutem um acordo de 60 dias para organizar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A ideia iraniana de cobrar pedágio seria abandonada. Navios que entrarem no Estreito passariam por uma rota ao norte, em águas do Irã. Aqueles que deixarem o local, navegariam pelo sul, em área controlada por Omã. O acerto também poderia ser prorrogado depois de dois meses. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se disse otimista com a possibilidade de o acordo ser anunciado nos próximos dias.

Soberania/ Quinta-coluna em ação

Quem precisa de inimigos com José Múcio na Defesa?

Com Múcio no cargo, seria melhor mudar o nome do ministério – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Todos sabem, desde o início do terceiro mandato de Lula, qual a verdadeira função do ministro da Defesa. José ­Múcio não é a expressão do poder civil no meio militar, mas um subordinado das Forças Armadas no governo. Durante um seminário na Confederação Nacional da Indústria, o sujeito escalado, em tese, mesmo em tom de bravata, para defender a soberania do Brasil, não pensou duas vezes antes de entregar a rapadura. “Dia desses, um jornalista me perguntou: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa?’ Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, afirmou, arrancando risadas dos presentes. É cantada em prosa e verso a falta de investimentos no setor, mas, caso quisesse mudar esse quadro, Múcio poderia, em vez de fazer piada, se dedicar a rever as despesas militares. Talvez, se o País gastasse menos com uísque, picanha, cerveja, Viagra­ e próteses penianas ­para os oficiais, sobrassem alguns trocados para fazer a manutenção de tanques e fuzis.

Ditadura/ Torturador condenado

Camarão era carcereiro na famigerada Casa da Morte

Redes Sociais – Imagem: Lima, 83 anos, tem o direito de recorrer em liberdade

Na sexta-feira 31, a Justiça Federal condenou a 12 anos e 11 meses de prisão Antonio Waneir Pinheiro Lima, ex-carcereiro da “Casa da Morte”, em Petrópolis. Conhecido pelo codinome Camarão, Lima foi acusado pelo sequestro e estupro, em 1971, de Inês Ettiene Romeu. Atualmente com 83 anos, o torturador tem o direito de recorrer em liberdade. “Há de se reconhecer a imprescritibilidade dos crimes sob apuração, aqui considerados como crimes contra a humanidade (ou de lesa-humanidade), em atenção à Constituição da República, às normas internacionais de direitos humanos e à jurisprudência sedimentada no âmbito dos sistemas global e interamericano de proteção aos direitos humanos”, destacou a juíza Maria Isadora ­Tiveron Frizão. Irmã de Inês, que morreu em 2015, Maria Celina se disse aliviada, apesar da punição ter ocorrido mais de 50 anos depois do crime. “É a ditadura sendo condenada. Os torturadores ficaram quase todos impunes, eles jamais responderão pelos crimes que cometeram, então a condenação de Camarão é simbólica.”

Enquanto isso, na Ucrânia…

Na quarta-feira 5, bombardeios russos em Kiev, capital da Ucrânia, deixaram um rastro de 17 mortos e 40 feridos e destruíram armazéns e centros logísticos. “Os principais alvos da ofensiva foram instalações de armazenamento pertencentes a empresas civis. Também houve ataques contra infraestrutura e uma estação ferroviária. Essas instalações não tinham relação com a guerra”, relatou Volodymyr Zelensky, presidente do país.

Fifa/ A ganância de Infantino

O presidente da entidade máxima do futebol não tem limites

Infantino mantém o padrão mafioso da cartolagem – Imagem: Alex Wong/Getty Images/AFP

Gianni Infantino parece disposto a superar os mestres da falcatrua do mundo da bola: João Havelange, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter. À frente de uma entidade manchada pela infâmia e pela corrupção, o italiano não se constrange em dar mais uma demão de ganância. A ideia de vender ações dos torneios organizados pela Fifa a investidores privados (algo perfeito para o seu “parça” Donald Trump) caiu tão mal que nem o recuo quase imediato aliviou a barra do cartola. Dirigentes da Uefa, a mais influente das federações que organizam o futebol, entraram em campanha aberta em favor da destituição de Infantino, que cumpre o terceiro mandato. Os times europeus ameaçam abandonar campeonatos organizados pela Fifa, entre eles o Mundial de Clubes, caso o italiano não renuncie ao cargo. O mal-estar permanece. Na quarta-feira 5, o ex-jogador português Luis Figo definiu assim o comportamento do cartola: “É o mais baixo, enganoso e covardemente egoísta que já testemunhei”.

Publicado na edição n° 1425 de CartaCapital, em 12 de agosto de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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