CartaCapital
Copa do Mundo/ As ilusões perdidas
O Brasil vai da euforia à depressão em 90 minutos
Bastaram 90 minutos e alguns outros de acréscimo para o mundo despencar sobre a cabeça do italiano Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira. O empate em 1 a 1 com Marrocos na estreia da Copa do Mundo não seria o fim da picada se o Escrete Canarinho tivesse exibido algo digno de ser chamado de futebol. O amontoado de jogadores em campo ficou à mercê das iniciativas do time marroquino, que ditou o ritmo da partida, e um volante adversário de apenas 18 anos barrou, sozinho, o experiente e superestimado trio do meio-campo do Brasil. O torcedor, levado a uma euforia um tanto quanto fabricada nos dias anteriores, caiu em depressão. A fofoca toma conta do entorno. O atacante Endrick é perseguido pelo míster? O goleiro Alisson falhou no gol de Marrocos? Por que Lucas Paquetá? E Ibañez? Não bastasse, opositores farejaram sangue e vazaram que o atual presidente da CBF, Samir Xaud, usou dinheiro da entidade para financiar a viagem de uma amante. Sem nenhuma condição física, Neymar continua a ser um totem para os crédulos, como se o ex-atleta em quase atividade, incapaz de salvar o Santos, fosse a solução. Triste o país que não sabe escolher seus ídolos.
Salto mortal
Os três instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Freitas não sabem ou não conseguiram até agora explicar a tragédia. A vítima, de 21 anos, foi lançada, durante um salto de rope jump, sem a proteção necessária. Ninguém checou os equipamentos de segurança. Diferentemente do bungee jump, o rope usa cordas estáticas, uma forma de interromper a queda de forma controlada. Maria Eduarda escolheu o modo “aviãozinho”, na qual o praticante não pula sozinho, mas é lançado pelos instrutores. A polícia investiga o caso como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de morte.
Master/ O arquivo vivo do morto
A irmã de “Sicário” ameaça a família do ex-banqueiro Daniel Vorcaro
A irmã de Mourão teria em mãos arquivos incriminadores – Imagem: Redes Sociais
Luiz Phillipi Mourão, vulgo “Sicário”, se matou na cadeia, segundo laudo da perícia, e passou a assombrar a família de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Um relatório da Polícia Federal afirma que Joana Mourão, irmã do braço direito do ex-banqueiro, ameaçou revelar arquivos capazes de “acabar” com a família Vorcaro. A reação teria sido em resposta às investidas para comprar o silêncio de Joana. O intermediário, prossegue a PF, seria Manoel Mendes Rodrigues, o “Manolo”, subordinado a Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também preso. Os federais informaram ainda que o ex-banqueiro dava “tratamento privilegiado e diferenciado” ao senador Ciro Nogueira, presidente do PP, que tentou aprovar no Congresso medidas para beneficiar o Master. Nogueira recebia em troca um pacote de benefícios: propina mensal de 300 mil a 500 mil reais, recursos da participação societária em uma empresa da família e custeio de viagens internacionais, hospedagem em hotéis de luxo, despesas em eventos e restaurantes e deslocamento em aviões particulares.
Peru/ A filha do ditador
Keiko Fujimori se aproxima da vitória nas eleições presidenciais
Na quarta tentativa, a candidata está prestes a vencer no segundo turno – Imagem: Martin Bernetti/AFP
Herdeira sanguínea e política de Alberto Fujimori, ditador condenado por crimes contra a humanidade, Keiko está prestes a ser a água mole que, de tanto bater, fura a pedra dura do eleitorado peruano. Em sua quarta participação consecutiva em um segundo turno, ocasiões nas quais o país se dividiu, a ultradireitista, salvo uma nova reviravolta cada vez mais improvável, superou a resistência ao seu nome e tende a ser eleita presidente. Quando esta edição foi concluída, a contagem de votos ainda não havia sido encerrada, mas as urnas da capital Lima garantiam uma mínima vantagem a Fujimori contra o esquerdista Roberto Sánchez, ministro durante o curto e turbulento mandato do presidente Pedro Castillo, preso por tentativa de golpe. Uma política de segurança à moda de Nayib Bukele, em El Salvador, e a aproximação com os Estados Unidos embalaram o discurso da candidata, em especial no segundo turno. A distância mínima entre os dois (50,1% a 49,9%) é o prenúncio de outro mandato turbulento em um país com nove presidentes da República em uma década. Não será desta vez que a crise política será debelada.
Duelo no G7
Faltou química entre o presidente Lula e o norte-americano Donald Trump durante a reunião na França do G7, o grupo das maiores economias do planeta. Os dois mal se cumprimentaram
nos corredores do evento. Na conversa com jornalistas, Trump afirmou que o Brasil é “politicamente difícil” e espalhou uma fake news sobre a suposta prisão de Bolsonaro Jr., bem colocado nas pesquisas presidenciais. Aparentemente, e só aparentemente, ele confundiu Eduardo com Flávio. Lula respondeu à altura. Segundo ele, o republicano pode gostar de quem quiser, pois gosto não se discute, mas sugeriu ao homólogo dos EUA: “Não se meta nas eleições” brasileiras.
Colômbia/ Um vassalo a caminho
Abelardo de La Espriella, favorito, tem o apoio da Casa Branca
La Espriella promete uma relação carnal com Donald Trump – Imagem: Redes Sociais
Ao contrário do Peru, onde não há sinais visíveis de interferência dos Estados Unidos no processo, na Colômbia do desafeto Gustavo Petro, Donald Trump entrou de cabeça na campanha do opositor Abelardo de la Espriella. O controverso advogado de traficantes e sonegadores, cantor amador de ópera e autodenominado El Tigre, tem feito juras de amor ao republicano e promete aniquilar os guerrilheiros ainda em atividade, além de abrir as portas aos interesses econômicos da Casa Branca. Depois de surpreender e terminar o primeiro turno na liderança, Espriella aparece à frente do senador Iván Cepeda, aliado de Petro, na maioria das pesquisas da segunda volta. Em meio à disputa, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, fez uma ameaça. Washington, afirmou, não ficará de braços cruzados diante de qualquer tentativa de manipular o processo eleitoral, um aval ao questionamento do resultado caso Cepeda vire o jogo na reta final. Segundo Rubio, a reposta será “muito contundente” para garantir eleições livres e justas. Os colombianos voltam às urnas no domingo 21.
Publicado na edição n° 1418 de CartaCapital, em 24 de junho de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’
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