17 ex-soldados colombianos podem estar envolvidos na morte do presidente do Haiti, dizem militares

Jovenel Moise foi assassinado na última quarta-feira 7; o Haiti declarou estado de exceção por 15 dias

Foto: Valerie Baeriswyl / AFP

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CartaCapital

Pelo menos 17 ex-soldados colombianos estão supostamente envolvidos no assassinato do presidente haitiano Jovenel Moise, informaram militares e policiais de alto escalão em Bogotá nesta sexta-feira 9.

Dois deles “pereceram” nas mãos das forças haitianas e há mais 15 colombianos que “teriam pertencido ao exército nacional” e que se dissociaram entre 2018 e 2020, disse o general Jorge Luis Vargas, diretor da polícia colombiana, em coletiva de imprensa.

O presidente morreu na quarta-feira por um comando formado por 28 pessoas: 26 colombianos e dois americanos de origem haitiana, segundo Porto Príncipe.

As autoridades colombianas identificaram 15 dos envolvidos, mas não revelaram informações sobre a passagem dos suspeitos pelo Exército ou os motivos de sua saída.

Dois dos envolvidos, Duberney Capador e Germán Alejandro Rivera, viajaram em 6 de maio de Bogotá para o Panamá e de lá para Santo Domingo, onde estiveram quatro dias antes para pegar um voo para o Haiti. Os outros colombianos chegaram na República Dominicana em 4 de junho e no dia 6 foram para Porto Príncipe.

Moise, de 53 anos, foi assassinado a tiros na madrugada de quarta-feira durante um ataque à residência presidencial. Sua esposa, Martine, ficou gravemente ferida.

 

Soldados profissionais

Entre os detidos pelo assassinato, está Manuel Antonio Grosso Guarín, de 40 anos, um dos “militares melhor preparados do exército colombiano”, de acordo com o jornal El Tiempo.

Outro dos detidos é Francisco Eladio Uribe, que, segundo sua esposa, saiu do exército em 2019, após 20 anos de serviço como soldado profissional.

O ex-segurança e motorista foi recrutado por uma suposta empresa de segurança que lhe ofereceu viagens a outros países como guarda-costas de famílias poderosas, afirmou Yuli, a mulher que se identificou como esposa do ex-militar detido no Haiti.

Em entrevista à W Radio, ela disse que seu marido foi contatado por um homem conhecido como “Capador”, um dos mercenários mortos pelas forças haitianas após o assassinato. “Inicialmente, a empresa ofereceu 2.700 dólares por mês”, afirmou.

Segundo sua versão, na quinta-feira recebeu uma ligação de Uribe por WhatsApp para dizer que ele e seus colegas “estavam escondidos porque eram procurados”. “Ele não entendia muito bem o que estava acontecendo (…), foi uma conversa muito vaga”, contou.

Na Colômbia, o ex-militar está sendo investigado pela execução de um civil que foi apresentado como morto em combate, dentro do grande escândalo que envolve o exército colombiano em uma contagem de corpos para aumentar seus resultados na luta contra guerrilhas de esquerda.

O presidente Iván Duque anunciou o envio de uma missão de inteligência ao Haiti para ajudar a esclarecer o homicídio.

Taiwan informou nesta sexta-feira que 11 supostos membros do comando que assassinou Moise invadiram sua embaixada em Porto Príncipe em uma tentativa de fuga, mas foram detidos pela polícia.

O Haiti declarou estado de exceção por 15 dias, segundo o primeiro-ministro.

 

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