Midiático

Mais de 140 jornalistas agredidos nas eleições; diretor do Datafolha é alvo

Após matéria sobre envolvimento de empresários na disseminação de fake news nas redes, repórter autora é hackeada e ameaçada, diz jornal

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O jornal Folha de S.Paulo informou na terça-feira 23 que entrou com pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que a Polícia Federal investigue a autoria das ameaças sofridas pela repórter Patrícia Campos Mello – autora da matéria que relatou o envolvimento de empresas na disseminação de fake news contra o PT – e Mauro Paulino, diretor-executivo do Datafolha.

O chefe do instituto de pesquisa foi ameaçado através do aplicativo de envio de mensagens privada, o Messenger, e na sua própria casa, segundo o jornal. Já a jornalista teve seu celular hackeado, mensagens foram apagadas e outras enviadas a partir de seu número de telefone. Patrícia também tem sido alvo de memes publicados nas redes sociais.

Na noite de ontem, o jornalista Juca Kfouri relatou que tem recebido vários tipos de ameaças. “Vocês não podem imaginar as ameaças que recebo nos comentários do meu blog. Desde ameaças genéricas até ameaças como: “eu sei por onde você caminha”, “ah, mudou o horário da caminhada?”, declarou durante evento no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O jornalista informou a CartaCapital que, mesmo com as ameaças, não alterou sua rotina diária.

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Segundo dados recolhidos pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), mais de 140 comunicadores sofreram algum tipo de violência em contextos político, partidário e eleitoral.

Para Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o número de profissionais que sofreram agressões este ano deve superar a de 2017. Relatório do ano passado da Fenaj registrou 99 casos de agressões contra profissionais da comunicação.

“Muito provavelmente o número de agressões de 2018 será superior a 2017. Principalmente nessa nova modalidade de agressão verbal, que são os ataques pelas redes sociais. Um fenômeno que já vinha ocorrendo, mas que de fato, com as eleições, explodiu”, ponderou Maria José.

De acordo com a presidente, casos de ameaças reais e risco iminente podem contar com um programa de proteção da Federação Internacional dos Jornalista, que consiste no financiamento de deslocamento geográfico do profissional que corre risco de vida. Maria José informa que desde a criação do órgão houve apenas um caso em que um profissional solicitou esse apoio no País.

CartaCapital

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