Justiça

Recuperação Judicial da ULBRA é um grande caso de troféu pela eterna gestão irresponsável

Mais de 7 mil trabalhadores e trabalhadoras foram e continuaram sendo lesados pela péssima gestão da Universidade Luterana do Brasil

Recuperação Judicial da ULBRA é um grande caso de troféu pela eterna gestão irresponsável
Recuperação Judicial da ULBRA é um grande caso de troféu pela eterna gestão irresponsável
Universidade Luterana do Brasil - ULBRA
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Equipe de futebol profissional; equipe de voleibol profissional; carros antigos estacionados em um prédio moderno, um dos maiores acervos do gênero no mundo; indiciamento pelo crime de lavagem de dinheiro; investimentos vultosos na gestão de Plano de Saúde e Hospitais; e outros tantos atos de gestão irresponsáveis e desrespeitosos da Lei, da ética e da moral justificam o estado falimentar da ULBRA – Universidade Luterana do Brasil.

A falência, fechamento ou venda de toda a ULBRA para honrar, minimamente a integralidade dos créditos dos milhares, mais de 7.000, trabalhadores e trabalhadoras que hoje estão habilitados na Recuperação Judicial, era e ainda é medida de justiça necessária.

O plano reprovado no último dia 14 se apresentava como um grande calote para os credores trabalhistas, pequenos empresários individuais, micro e pequenas empresas – classes de credores onde não houve a aprovação unânime noticiada.

Na classe das pequenas empresas e empresários o plano foi reprovado pela maioria dos presentes, 8 votos que representavam 21 milhões de reais, e aprovado por 4 votos, estes que representavam 38 milhões de reais – assim contrariando a maioria dos representantes da classe, aqui o plano foi aprovado (na forma da Lei) pelos 38 milhões de reais representados.

Na classe dos credores trabalhistas, dos mais de 7.000 trabalhadores e trabalhadoras relacionados no quadro geral de credores, estavam presentes ou representados na assembleia do dia 14 de dezembro, apenas 2.874 credores. O resultado da votação pela aprovação do plano foi de 2.727 votos, e 147 pela reprovação.

O plano elaborado em beneficio da manutenção e recuperação da ULBRA e suas estruturas de gestão e administração, ainda de grande satisfação para os Bancos, faz lembrar a parábola do porco e da galinha na feitura da omelete com bacon:

Ulbra e Bancos fornecem os ovos e os trabalhadores, fornecedores, pequenos empresários e empresas, a vida, digo, o bacon.

As manobras da devedora, contumaz descumpridora da Lei, encurtam o horizonte, e se aproveitam da ausência de memória do Judiciário – foi assim no primeiro capítulo desta Recuperação Judicial. O Juízo de primeiro grau não deferiu a Recuperação, e então o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, ignorando o histórico de ilegalidades, arbitrariedades e irresponsabilidades na gestão da Ulbra, admitiu como válida a alteração do tipo jurídico, de Associação Civil para Sociedade Anônima de capital fechado, efetivada nos últimos meses da gestação do pedido de Recuperação Judicial, deferindo então o processamento da Recuperação Judicial.

A falta de memória apaga a história, ignora o presente e empurra o passado para o futuro.

Os credores são as vitimas. Não escolheram estar nesta condição. Os créditos são as cicatrizes dos credores – que não podem ser culpados pela não aprovação de um plano que os desrespeita e prejudica.

Não pagar/honrar obrigações, não leva uma empresa, uma universidade, um plano de saúde ou um hospital à falência.

O que leva à falência é a gestão irresponsável. A destinação irresponsável dos dinheiros.

Nas palavras do rapper Emicida, a voz dos Credores da Recuperação Judicial da ULBRA:

“Por fim, permita que eu fale
Não as minhas cicatrizes
Achar que essas mazelas me definem
É o pior dos crimes
É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóis sumir”

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