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House of Mãe Joana: Joice Hasselmann e Eduardo Bolsonaro no jogo do bicho

A Banana Republic Original Series (ou o resumo semanal do hospício, porque este Brasil deixou de ser sério faz tempo)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O deputado federal Eduardo Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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No episódio desta semana, a loucura toma conta do laranjal. Teve de tudo um pouco, notas de 3 reais, apostas no jogo do bicho, fiscalização da vida alheia e valentão ameaçando implodir o presidente, promessa ainda não cumprida. Fora de época, a fogueira de quermesse aqueceu o espírito de muitos. Pena não ter durado o suficiente para animar a oposição, tão acostumada a jogar parada. “Pula a fogueira, iáiá. Pula a fogueira, iôiô…”

Um dia após ser chutada da liderança do governo no Congresso, Joice Hasselmann, que disse ter “couro duro” ao deixar o cargo e não se importar com a “ingratidão”, denunciou a fabricação de dinheiro falso pelas milícias bolsonaristas, ou quase isso…

Carla Zambelli não perdeu a chance de cutucar a desafeta:

“Alô milicianos digitais! Já deixaram de seguir a @joicehasselmann hoje? Ah, que isso, a Peppa está descontrolada!”

Isso mesmo. Zambelli utilizou a simpática e rechonchuda Peppa Pig, sempre afável e solidária com o irmãozinho George, para atiçar as labaredas do laranjal. Uma comparação para lá de injusta, como deu para notar. Após o ataque gordofóbico da parlamentar, Carlos Bolsonaro, o 02, primeiro vereador federal da República, decidiu entrar na arenga com… emojis. Porco, rato, cobra, galinha e lula.

Hasselmann aceitou o desafio e entrou no jogo do bicho:

A aposta da parlamentar foi de três veados e três ratos. Veremos no próximo sorteio da Federal quem levará a bolada (assessores do  PT não entraram na aposta)… Houve, contudo, quem identificasse no comentário de Hasselmann um ataque homofóbico. Ela tem antecedentes. Pouco antes de arriscar a sorte no jogo do bicho, envolveu-se em um bate-boca com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, a quem chamou de “El macho man”. Não satisfeita, mandou uma indireta pelo Twitter:

“Respeito os ‘viados’ assumidos. Os que são corajosos. Os que se escondem no conservadorismo, fazem pinta de machões escondidos em suas pseudo canetas e ficam mandando indiretas como se fosse ‘machos’ não merecem meu respeito. Frouxo é frouxo, não importa o posto que tenha”

Douglas Garcia, deputado estadual pelo PSL em São Paulo e homossexual assumido, lamentou que a deputada tenha obtido “mais de 1 milhão de votos para ser fiscal da vida íntima dos outros”. E acabou levando outra lambada de Hasselmann:

“Sentiu o baque, mona?”

No laranjal, gordofobia combate-se com homofobia.

Após a primeira tentativa do governo de afastá-lo da liderança do PSL na Câmara, Delegado Waldir prometeu colocar a casa abaixo:

“Vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Eu tenho a gravação. Não tem conversa. Eu implodo o presidente”

A plateia esperou, em vão, a demolição. Quatro dias depois das ameaças, deu a sua contribuição para consertar as rachaduras:

“O meu partido, o PSL, decidiu retirar a ação de suspensão de cinco parlamentares. E aceitamos democraticamente uma nova lista, que foi feita por parlamentares. Já estarei à disposição do novo líder para, de forma transparente, passar para ele toda a liderança do PSL”

O novo líder do partido na Câmara é Eduardo Bolsonaro, o 03, trainee de embaixador. Mas Delegado Waldir, o arrependido homem-bomba, lança dúvidas sobre quem manda no laranjal:

“Ninguém é mais forte no governo que os filhos do presidente. O presidente, na verdade, é uma marionete. E os filhos estão governando”

A marionete esclareceu que, caso Eduardo opte por permanecer no Brasil para “pacificar o PSL”, o governo tem um bom nome para substituí-lo na embaixada brasileira em Washington:

“Nós, logicamente, temos lá um bom (nome)… na função atualmente nos Estados Unidos. Quem que é o…? É o Nestor Forster. O Nestor Forster é um bom nome”

Eduardo, o embaixador que nunca ocupou o posto, arrumou uma maneira de evitar a pressão dos jornalistas. Simplesmente sair correndo, como fez na terça-feira 22. Os 100 metros rasos nos fazem lembrar da frase em botequim mexicano:

“A inteligência me persegue, mas sempre sou mais rápido”

Em meio à guerra fratricida no PSL, o Planalto encontrou nos protestos no Chile uma forma de animar a militância. Para o entourage bolsonarista, tudo não passa de uma conspiração do Foro de São Paulo para desestabilizar governos de direita. O primeiro a levantar a lebre foi Filipe Martins, ele mesmo, o “frouxo”, o assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais:

“Os recentes movimentos de desestabilização de países sul-americanos não são espontâneos nem isolados, mas uma ramificação da estratégia definida pela ditadura cubana, por sua proxy venezuelana e pela rede de solidariedade que as sustenta. A esquerda é o flagelo da nossa região”

Ao menos conseguiu convencer o chefe, o que basta para mater o emprego. No Twitter, Bolsonaro publicou um vídeo, uma cena de manifestantes atirando pedras contra uma ambulância, e aproveitou para expiar o bode de sempre:

“Foro de São Paulo: sofreram um duro revés com nossa eleição quando fechamos as torneiras da corrupção estatal. Contudo, não estamos livres desses ditadores que teimam,  via atos de vandalismo  e terrorismo, reconquistarem  que perderam nas urnas”

Presidente nacional do PSOL, o historiador Juliano Medeiros deu-se ao trabalho de incentivar o presidente a refletir melhor: 

“Você acha que esses jovens nas ruas de Santiago são dirigidos pelo Foro de São Paulo? Só pode ser piada! O Foro de São Paulo é uma reunião de partidos muito bem-comportados. Essa juventude nas ruas é a fúria dos despossuídos. Ela é MUITO MAIS perigosa que o Foro de São Paulo”

O laranjal que se cuide.

Fred Melo Paiva

Fred Melo Paiva
Editor-executivo online de CartaCapital, correspondente das Notícias do Hospício e apresentador da série O Infiltrado (History).

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