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A regra é clara: deixem elas jogarem!

Diversidade,Futebol por Elas

É uma nova era: meninos jogam futebol e meninas também. Em 2016 a Conmebol publicou uma norma exigindo dos clubes vinculados a ela que mantenham times de futebol feminino, tanto na categoria adulta, quanto na base.

A regra, que passa a valer esse ano é critério para o Licenciamento da Conmebol e, segundo a Confederação, os times que não cumprirem a exigência, serão excluídos das competições.

De acordo com o regulamento, “o solicitante [a licença] deverá ter uma primeira equipe feminina ou associar-se a um clube que possua o mesmo. Além do mais, deverá ter pelo menos a categoria juvenil ou associar-se a um clube que possua”.

Seguindo as mesmas diretrizes, e com a intenção de garantir que o futebol brasileiro se adeque às regras da Conmebol, a CBF também passa a exigir neste ano que os 20 clubes que disputam a série A mantenham os times femininos adultos e de base.

Estas que deveriam ser medidas representativas, no entanto, se tornam frustração e reafirmação do preconceito e do machismo no futebol brasileiro. Dos 14 times brasileiros que disputarão as competições entre os países sulamericanos, apenas metade (sete) têm times femininos nas duas categorias.

Os times que já se adequaram e possuem equipes femininas adultas e de base são Atlético (MG), Athletico (PR) e Internacional – entre os que disputam a Libertadores -; e Santos, Bahia, Fluminense e Chapecoense – entre os que disputam a Sul-Americana.

Entre os que não se adequaram, Palmeiras, Cruzeiro, e Botafogo não possuem times em nenhuma das duas categorias. Flamengo, Grêmio e Corinthians só mantêm equipes adultas e o São Paulo só possui a categoria de base.

Dos outros seis times que só disputam a Série A do Brasileirão, Ceará, Vasco e Goiás já possuem times femininos tanto na categoria adulta, quanto na base. O CSA possui apenas a equipe adulta e Fortaleza e Avaí não têm futebol feminino.

O preconceito como herança histórica 

Já são mais de 80 anos desde que a Lei Nº 3.199/1941, elaborada pelo General Newton Cavalcanti, proibiu as mulheres brasileiras de praticarem o esporte, sob a justificativa de que o futebol as masculinizava.

Mas, muito antes da lei, as mulheres que jogavam futebol eram vistas com preconceito, eram marginalizadas. Afinal, o futebol não era “adequado” ao comportamento que se espera de uma mulher.

No entanto, o futebol feminino não deixou de existir (e resistir). As amantes do futebol burlavam as regras para que pudessem jogar e há, inclusive, relatos sobre competições estritamente femininas.

Só na década de 1980, há 40 anos, é que o decreto de 1941 foi oficialmente derrubado e as mulheres tiveram permissão para praticar o futebol no país. E apenas em 1996 a modalidade foi incluída nas Olimpíadas.

O que carregamos hoje com a dificuldade da promoção do futebol feminino, vem de uma herança histórica que, como muitas outras, é difícil ser derrubada.

Mas os avanços vêm, a passos curtos e lentos. Na era em que, finalmente, o futebol não tem gênero, basta aos clubes, às organizações do futebol e aos patrocinadores reconhecerem o quanto a mulher representa para o esporte.

E que comecemos pelo básico: o cumprimento dos novos regulamentos. Os times vão se adequar? E quando aqueles que não se adequaram serão punidos?

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