Veja se sua marca favorita está comprometida com a transparência na moda

Fashion Revolution lança Índice de Transparência da Moda Brasil 2019 e revela o panorama da indústria no País

Veja se sua marca favorita está comprometida com a transparência na moda

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Por Dandara Valadares*

Foi lançada em 10 de dezembro a segunda edição do Índice de Transparência da Moda Brasil, um indicador de informações públicas de grandes marcas da indústria da moda no Brasil. O Índice de Transparência da Moda é um relatório global que pretende ampliar o debate sobre transparência na cadeia de valor e estimular a cultura de prestação de contas entre as empresas. 

A cada ano, o Índice de Transparência da Moda aborda e explora um conjunto de questões consideradas importantes para a indústria da moda com maior profundidade. Em 2019, o relatório brasileiro, assim como o global, destaca quatro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. A equipe do Fashion Revolution elencou os ODS 5, 8, 12 e 13 como particularmente relevantes para pautar o trabalho de marcas e varejistas. 

Dentro desses quatro objetivos, equipe e consultores identificaram alguns desafios mais urgentes, tais como: violência de gênero no trabalho, disparidades salariais entre mulheres e homens, barreiras à liberdade de associação, baixos salários e remunerações, práticas de compra, descarte inadequado de resíduos, pouca adesão a iniciativas de reciclagem de produtos têxteis e de incentivo à circularidade desses produtos e pegada de carbono da indústria da moda. 

Sabendo da importância do debate no contexto brasileiro e visando a meta 8.8 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – que se refere à proteção dos direitos trabalhistas e promoção de ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os colaboradores, incluindo os migrantes, em particular as mulheres e pessoas com emprego precário – a equipe brasileira determinou que questões envolvendo igualdade racial e discriminação entre nacionalidades deveriam ser incluídas no Índice nacional desde sua primeira edição. 

Metodologia

A metodologia do Índice de Transparência da Moda se concentra exclusivamente em capturar informações públicas e, portanto, a ponderação das pontuações procura recompensar níveis elevados de detalhamento de informações, especialmente em publicações de listas de fornecedores e resultados de avaliações e auditorias. 

A equipe analisou as informações disponíveis publicamente pelas empresas em cinco categorias: “Políticas e Compromissos”, “Governança”, “Rastreabilidade”, “Conhecer, Comunicar e Resolver” e “Tópicos em Destaque”. A pesquisa considerou empresas de diferentes segmentos para abranger a diversidade do setor e, assim, a seleção das marcas teve como referência três fatores: o volume de negócios anual; a diversidade de segmentos de mercado; e o posicionamento como top of mind. As 30 marcas incluídas no relatório de 2019 são: Animale, Arezzo, Brooksfield, Carmen Steffens, C&A, Cia. Marítima, Colcci, Colombo, Decathlon, Dumond, Ellus, Farm, Havaianas, Hering, John John, Le Lis Blanc Deux, Leader, Lojas Avenida, Malwee, Marisa, Melissa, Moleca, Olympikus, Osklen, Pernambucanas, Renner, Riachuelo, TNG, Torra Torra e Zara.

Descobertas rápidas

A pontuação média geral foi 16%, sendo que apenas uma marca pontuou acima de 60%. Dentre as 30 grandes marcas e varejistas pesquisadas, 13 obtiveram pontuação final igual a 0%. Isso não significa, necessariamente, que elas não tenham boas práticas e iniciativas, mas que, no momento da pesquisa, não compartilhavam publicamente nenhuma informação sobre os temas investigados.

Em relação aos resultados, a coordenadora do projeto e diretora educacional do Fashion Revolution Brasil, Eloisa Artuso, explica que “algumas empresas analisadas em 2018 apresentaram uma notável evolução de um ano para o outro, com destaque para as Pernambucanas, com variação de 140%, seguida pela Renner, que aumentou 98% no seu nível de divulgação. Também tiveram uma boa evolução a Riachuelo, com 62%, a Hering, com 55%, e a Osklen, com um aumento de 46% no volume de informações e dados disponíveis. Este progresso, juntamente com o feedback que recebemos diretamente de algumas empresas, sugere que a inclusão no Índice de Transparência da Moda motivou com que elas se tornassem mais transparentes.”

Em média, as 20 marcas que foram analisadas em ambas as edições do Índice revelaram um crescimento médio de 39% em seus níveis de transparência, de um ano para cá. No entanto, Eloisa acredita que “embora nossa pesquisa este ano demonstre uma importante melhora na média geral entre as 20 empresas presentes nas duas edições, percebemos que, mesmo as marcas e varejistas líderes ainda têm um potencial significativo para aumentar a transparência sobre suas cadeias e ampliar a organização e o compartilhamento de informações mais detalhadas sobre os resultados e impactos de seus esforços junto a seus consumidores e/ou outras partes interessadas.”

O evento de lançamento contou com a presença de Sarah Ditty, diretora de políticas do Fashion Revolution global, que pontua: “A transparência é o primeiro passo em direção às mudanças transformadoras positivas na indústria da moda. É uma jornada e é algo que queremos trabalhar de maneira positiva e colaborativa com as marcas para prosseguir nessa jornada, e para divulgarem mais informações sobre suas práticas. Acreditamos que trabalhando juntos, em vez de nomear e envergonhar, é como realmente teremos conversas honestas e tomaremos medidas para fazer mudanças na indústria da moda.”

O Índice de Transparência da Moda Brasil teve apoio institucional da Aliança Empreendedora, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), COPPEAD – UFRJ, InPACTO, Rede Brasil do Pacto Global e Instituto C&A. 

Baixe o Índice de Transparência da Moda Brasil na íntegra no link https://bit.ly/itmb2019

*Da equipe de Comunicação Fashion Revolution Brasil

 

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