Diálogos da Fé

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A estranha prisão da jornalista Marziyeh Hashemi

A repórter convertida ao islamismo foi detida nos EUA sem nenhuma acusação formal

Hashemi, presa sem justificativa (Foto: Wikimedia)
Hashemi, presa sem justificativa (Foto: Wikimedia)
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Sem nenhuma acusação ou processo, Marziyeh Hashemi, jornalista, negra e cidadã dos Estados Unidos convertida ao islamismo foi presa pelo FBI no estado do Missouri em 13 de janeiro. Alega-se que a repórter seria testemunha em uma ação penal mantida em segredo de Estado.

Funcionária da iraniana Press TV, Hashemi, antes chamada Melanie Franklin, é claramente vítima de uma abusiva violação dos direitos humanos, uma tentativa de intimidar a comunidade muçulmana e a mídia independente.

Ela produziu ao longo da  carreira diversas reportagens sobre a discriminação de mulheres, muçulmanos e afro-americanos nos Estados Unidos.

“O governo americano precisa explicar qual é o risco sobre Marziyeh Hashemi que justifique” a prisão, escreveu no Twitter o chefe da diplomacia do Irã.

Desde a sua detenção no aeroporto da cidade de Saint-Louis, a jornalista tem sido submetida a maus tratos e humilhações. Ela segue acorrentada pelos pés e pelas mãos e está proibida de usar o véu. Segundo relatos, Hashemi tem sido insultada por professar sua fé. Para se alimentar, recebe pão, água e carne de porco (cujo consumo é proibido entre os muçulmanos), o que causa grande revolta na comunidade islâmica.

A prisão soa como um ataque aos jornalistas independentes, muçulmanos, mulheres, negros e todos aqueles que defendem os direitos humanos e a liberdade de expressão.

Leia também: Líderes questionam versão saudita sobre caso Khashoggi

A Basich, comunidade  de mulheres da Força de Resistência Popular do Irã, condena a prisão de Marziyeh Rashemi. O mesmo faz a associação de jornalistas iranianos  .

Lembramos o caso de Jamal Khashoggi, jornalista assassinado na Turquia a mando da monarquia saudita – e minimizado por Donald Trump.

Liberdade para Marziyeh Rashemi.

Patrícia Soares
Historiadora pela PUC São Paulo. Professora da rede pública de ensino. Foi professora de história islâmica da Universidade Islâmica do Brasil (UNISB) em 2002. Escreve neste espaço às terças-feiras.

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