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A estranha prisão da jornalista Marziyeh Hashemi

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Sem nenhuma acusação ou processo, Marziyeh Hashemi, jornalista, negra e cidadã dos Estados Unidos convertida ao islamismo foi presa pelo FBI no estado do Missouri em 13 de janeiro. Alega-se que a repórter seria testemunha em uma ação penal mantida em segredo de Estado.

Funcionária da iraniana Press TV, Hashemi, antes chamada Melanie Franklin, é claramente vítima de uma abusiva violação dos direitos humanos, uma tentativa de intimidar a comunidade muçulmana e a mídia independente.

Ela produziu ao longo da  carreira diversas reportagens sobre a discriminação de mulheres, muçulmanos e afro-americanos nos Estados Unidos.

“O governo americano precisa explicar qual é o risco sobre Marziyeh Hashemi que justifique” a prisão, escreveu no Twitter o chefe da diplomacia do Irã.

Desde a sua detenção no aeroporto da cidade de Saint-Louis, a jornalista tem sido submetida a maus tratos e humilhações. Ela segue acorrentada pelos pés e pelas mãos e está proibida de usar o véu. Segundo relatos, Hashemi tem sido insultada por professar sua fé. Para se alimentar, recebe pão, água e carne de porco (cujo consumo é proibido entre os muçulmanos), o que causa grande revolta na comunidade islâmica.

A prisão soa como um ataque aos jornalistas independentes, muçulmanos, mulheres, negros e todos aqueles que defendem os direitos humanos e a liberdade de expressão.

Leia também: Líderes questionam versão saudita sobre caso Khashoggi

A Basich, comunidade  de mulheres da Força de Resistência Popular do Irã, condena a prisão de Marziyeh Rashemi. O mesmo faz a associação de jornalistas iranianos  .

Lembramos o caso de Jamal Khashoggi, jornalista assassinado na Turquia a mando da monarquia saudita – e minimizado por Donald Trump.

Liberdade para Marziyeh Rashemi.

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Historiadora pela PUC São Paulo. Professora da rede pública de ensino. Foi professora de história islâmica da Universidade Islâmica do Brasil (UNISB) em 2002. Escreve neste espaço às terças-feiras.

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