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“Bola nas costas” do Brasil e novidades do socialismo chinês

Em um país sério, Bolsonaro seria chamado para explicar a perda de comércio com a China para os EUA

presidente Jair Bolsonaro e o assessor de Segurança Nacional dos EUA John Bolton (Foto: Reprodução)
presidente Jair Bolsonaro e o assessor de Segurança Nacional dos EUA John Bolton (Foto: Reprodução)
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Em um país sério, Bolsonaro, sua equipe econômica e o ministro das Relações Exteriores seriam chamados às duas casas legislativas pela bola nas costas que os EUA impuseram ao Brasil num provável acordo comercial com a China. Esse acordo ocorrerá, pois está ficando claro que o “problema” chinês não será resolvido por via de uma pequena “Endaka” como a imposta ao Japão em 1985.

O socialismo chinês tem dado amplos sinais de superioridade econômica ante qualquer capitalismo no mundo. Portanto, os norte-americanos percebem que o problema é mais “estrutural” do que se imagina. A China tem estratégia definida de como chegar ao estado da arte em matéria de tecnologia de ponta. No máximo em 2025 alcançará soberania tecnológica e o consumo deverá ampliar seu papel na composição da demanda agregada do país.

Em outras palavras, sobre o consumo: um moderno e poderoso sistema de previdência social construído nos estertores do governo Hu Jintao se fará notar por todos os quadrantes da economia chinesa.

Programas internos de conexão econômica estão se ampliando, com dois fenômenos já tratados por mim sendo provados: a relação entre o surgimento de novas e superiores formas de planificação econômica com avanço na especialização e a elevação do grau de divisão social do trabalho. Por exemplo, em 2018 um Programa de Desenvolvimento do Cinturão do Rio Yang Tsé foi lançado com investimentos da ordem de 500 bilhões de dólares em dez anos pelo China Development Bank. Em minha cabeça, isso pode ser chamado de qualquer coisa, inclusive de “keynesianismo”. Mas trata-se de mais um sinal que indica o surgimento de uma Nova Formação Econômico-Social na China, o socialismo de mercado.

Leia também: Bloqueio ideológico é uma das causas da desinformação sobre a China

Os chineses darem bolas nas costas dos EUA, isso já era esperado. Mao Tsé-Tung escreveu uma linda carta de despedida ao então embaixador dos EUA na China à época da Revolução Nacional-Popular em 1949 para 32 anos depois chamar Nixon para dançar em Pequim. O resto da história pode ser explicado tanto pela competência de seus sucessores quanto pelo fato de a economia de mercado existir na China desde, por volta, mil anos antes de Cristo.

Agora o Brasil passar pela vergonha de perder um mercado de 10 bilhões de dólares para um “brother” que deu tapinha em nossas costas pelo nosso distanciamento em relação à China para, em seguida, tomar para si este mercado. É uma questão de banditismo político, econômico e diplomático. É caso de cadeia para todos os envolvidos. É assim que ocorreria em países como a China e os EUA.

Por fim, não sou daqueles que veem em Trump um idiota. Ao contrário. O refinamento e o poder de sedução de Obama escondia uma das maiores mediocridades políticas da história dos EUA. China e EUA hoje (como na época de Deng Xiaoping e Ronald Reagan, dois dos maiores estadistas do último quartel do século 20) são governados por gente que colocou na cabeça que precisa governar de fato seus países.

Leia também: EUA, China e a supremacia tecnológica

Já o Brasil é governado por um lumpesinato, por uma escória de gente incapaz, ultraliberais idiotas, evangélicos medievalistas, militares que se posicionam contra a intervenção do Estado na economia (mais uma jabuticaba brasileira!!!!), um presidente miliciano e um ministro da Justiça nomeado por Washington.

Ando muito triste e deprimido com o Brasil. Falo isso com a dor de um patriota. Por muito menos do que isso que rolou não seria Cromwell o executor do rei. A guilhotina seria solta ou por Adam Smith ou o elaborador da lei que atazana a cabeça dos liberais brasileiros. Refiro-me a David Ricardo e sua famosa lei das vantagens comparativas.

Brasil Debate

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