Sínodo da Amazônia x Governo Bolsonaro

Na pauta, o desmatamento desenfreado, irracional, mudanças climáticas e a situação dos povos indígenas e quilombolas

Sínodo da Amazônia x Governo Bolsonaro

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Na pretensão de ser sucinto e objetivo, pode-se afirmar que três encíclicas sacudiram o conservadorismo insensível da Igreja Católica: A Rerum Novarum, de 1893, que pretendeu chamar a atenção dos fiéis e infiéis sobre as condições quase escravocratas dos trabalhadores do mundo; A Pacem In Terris de João XXIII, de 1963, que inspirou a revolucionária Teologia da Libertação, quando a Santa Igreja Católica reenxerga os ensinamentos de Cristo e a Laudato Si do Papa Francisco, saudada no mundo inteiro como a “Encíclica verde”, mas que o pontífice faz questão de destacar os compromissos sociais do documento e lança um apelo à comunidade internacional para preservar a integridade do planeta e salvaguardar o direitos dos mais carentes.

A encíclica escancara, ainda, a necessidade de não se dissociar as agressões à natureza, promovida pelo estilo de produção e consumo atualmente determinados pelo mercado, com a vida do homem simples que convive com a terra e nela produz.

Pausa para informar que os bispos de todos os continentes vão se reunir em Roma durante 23 dias do mês de outubro para cumprir uma agenda pra lá de atual: O Sínodo sobre a Amazônia.

Na pauta, o desmatamento desenfreado, irracional, mudanças climáticas e a situação dos povos indígenas e quilombolas.

Em plena harmonia com a Laudato Si.

Tudo isso em “perigosa” rota de colisão com a filosofia do governo extremista do capitão Jair Bolsonaro.

O sinal amarelo nas hostes governistas acendeu quando a Agência Brasileira de Inteligência detectou reuniões de cardeais brasileiros com o Papa Francisco para discutir as diretrizes do Sínodo.

Conforme compete a todo governo que se move à direita do espectro ideológico, foram acionados todos os recursos, Agência Brasileira de Informação e os Comandos Militares à frente, para monitoramento das conversas e mobilizações dos agentes da igreja, essencialmente nas paróquias da região Norte.

O general Augusto Heleno, Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, foi muito enfático: “estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”.

Leia também: Criticado por Bolsonaro, Sínodo da Amazônia inicia preparação

O raciocínio no meio governista é que a pauta do evento em Roma é influenciada pelo clero progressista e o próprio general acredita que é “interferência em assunto interno do Brasil”.

O evento, convocado pelo Papa, vale esclarecer, vai tratar das questões ambientais/sociais em toda extensão da Pan-Amazônia, que envolve nove países, e não se tem notícia de nenhum deles interferindo nas ações preparatórias do encontro.

Na reação às movimentações e falatórios dos agentes governistas, o bispo da Prelazia de Marajó, dom Evaristo Spengler, falou de “um retrocesso que só vimos na ditadura militar”. Lembra da Igreja apartidária, mas que tem lado, “o lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”.

Na ditadura de 64, promovida pelas vivandeiras da UDN em conluio com os militares, havia, pelo caráter do regime, respaldo para ações antipáticas e antidemocráticas, como a perseguição ostensiva a dom Hélder Câmara, o grampeamento sem cabrestos de agentes religiosos. Mas o que o governo Bolsonaro anda praticando em plena democracia, fica difícil deglutir.

A reação internacional foi iniciada pelo jornal italiano Il Fato Quotidiano: “Bolsonaro teme o Sínodo da Amazônia. Serviços secretos espionam bispos e padres”.

Daqui até outubro, muita água ainda vai rolar!

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