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O atual governo é um choque cultural: negativo, violento e perigoso

A nação gestante deu à luz debates que estavam em estado letárgico. Chagas surgiram e cicatrizes retrocederam

O presidente Jair Bolsonaro (Foto: Evaristo Sá/AFP)
O presidente Jair Bolsonaro (Foto: Evaristo Sá/AFP)
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É muito difícil vencer uma guerra ideológica. Pois nesta guerra soldados não são abatidos. O inimigo é apenas alguém que pensa diferente. Ordens não são questionadas. Ideias não são debatidas.

Mata-se o bom senso. A honestidade intelectual. A metralhadora ideológica é certeira. Mutila mais que a bomba atômica. Amputa gerações e capítulos da história. A caneta legislativa é implacável. Bons argumentos deixam apenas a guerra mais “sangrenta”.

Qualquer absurdo sempre será justificado. Em nome de algo maior, que ninguém sabe muito bem o que é. Se estão fazendo, estão certos. Não há contraditório. Que se dane a ampla defesa.

O atual governo é um choque cultural. A meu ver negativo, violento e perigoso. Útil apenas como um divisor de águas e para o autoconhecimento como nação.

Um complexo, intricado e doloroso parto ideológico. A revelação de uma foto que estava apenas no negativo. Algo parecido com o fim de um efeito anestésico. Antes uma crise de percepção. Agora um mar de revelações.

Independente do que aconteça, já podemos prever um país antes e depois deste governo. A nação gestante deu à luz debates que estavam em estado letárgico. Chagas surgiram e cicatrizes retrocederam.

Voltamos a falar de ditadura. De Terra Plana. De armamento. Passamos a desprezar livros, vacinas, conhecimento. Estigmas inexistentes, invisíveis, adormecidos ou esquecidos vieram à tona com força e fúria total. Mais fúria que força. Diga-se de passagem.

Trata-se da revelação de um país que eu não conhecia. A imagem de um povo cordial, pacífico, alegre, empático, que convive bem com as diferenças e suas diversidades, caiu por terra.

O Brasil perdeu a inocência de vez. Nossa máscara caiu. Revelou-se que uma grande parcela da sociedade de fato é racista, homofóbica, intolerante, violenta, misógina e ultraconservadora. Fatia social significativa que não valoriza educação, meio ambiente, pluralismo político, ciência, arte e cultura.

Os trabalhadores perderam força. Os três poderes se corromperam. As instituições caíram em descrédito. A Constituição virou um calhamaço de papel.

Para o bem ou para o mal, nunca mais seremos os mesmos.

Se existe cura? Não existe cura para a cegueira.

A única chance é que a lágrima caída nos faça despertar. Antes lágrima que sangue.

Que chova bom senso. Que germine consciência. Há esperança!!!

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