Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Morto aos 93 anos, o mineiro Noca da Portela aprendeu o samba nos morros do Rio

Sambista é autor do clássico do Carnaval ‘É Preciso Muito Amor’

Morto aos 93 anos, o mineiro Noca da Portela aprendeu o samba nos morros do Rio
Morto aos 93 anos, o mineiro Noca da Portela aprendeu o samba nos morros do Rio
Noca da Portela morreu aos 93 anos – Foto: Reprodução
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Faleceu neste domingo 17, aos 93 anos, um dos grandes baluartes do samba: Noca da Portela. O sambista estava internado desde o dia 30 de abril no Hospital Assim Medical Hospital Memorial São Cristóvão, no Rio de Janeiro, para tratar de uma infecção pulmonar.

Osvaldo Alves Pereira, o Noca da Portela, nasceu em 12 de dezembro de 1932 em Leopoldina, Zona da Mata mineira. Em busca de melhores condições de vida, sua família mudou-se em 1937 para o Rio de Janeiro.

O pai de Noca tocava violão, mas nunca quis que o filho se envolvesse com o samba. Entretanto, aos 14 anos, ele começou a participar ativamente do universo das escolas de samba. Aos 17 anos escreveria seu primeiro samba-enredo para a escola do bairro que morava, a Irmãos Unidos do Catete.

Já em 1949, mudaria para um cortiço em Botafogo, bairro na época com forte ligação com o samba. Lá, conheceu o compositor Mauro Duarte, um de seus parceiros de música mais frequentes – com ele faria o samba Alegria Continua, sucesso com o grupo MPB4.

Noca ganhava a vida como podia e por um tempo trabalhou com ajudante de feirante. Sem dinheiro para viver na Zona Sul da cidade, mudou-se para os morros da Zona Norte. No Tuiuti, em São Cristóvão, teria forte ligação com a escola da comunidade, a Paraíso de Tuiuti.

Na agremiação, sua grande escola na formação como sambista, faria sambas-enredo e de terreiro por cerca de duas décadas.

Gravou seu primeiro samba em 1954 em compacto simples. Em 1966 ingressaria na Ala de Compositores da Portela, momento em que muda seu nome artístico para Noca da Portela. Em 1976 ganharia seu primeiro samba-enredo na escola de Madureira – fato que depois se repetiria mais seis vezes.

Um ano depois Elza Soares gravaria Portela Querida, de Noca, Colombo e Picolino, um samba-exaltação que posteriormente Paulinho da Viola registraria. O dinheiro conquistado pela música interpretada por Elza tornou possível alugar uma casa no bairro Engenho Novo – mesmo bairro onde compraria uma casa aos 50 anos.

De 1974 a 1984 trabalhou na gravadora RCA Victor como assessor da diretoria. A mesma gravadora que lançaria seu primeiro disco, em 1980: Mãos Dadas. Noca ainda lançaria mais alguns poucos discos solo.

Em 1979, Chico da Silva gravaria seu maior sucesso, É Preciso Muito Amor (composto em parceria com Tião de Miracema), samba que se tornou onipresente no carnaval brasileiro e que receberia dezenas de regravações, incluindo de Zeca Pagodinho. Na mesma década, seus sambas já tinham sido gravados por Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Os Originais do Samba, Emílio Santiago, Beth Carvalho, entre outros.

Engajado na política e comunista, Noca teria um samba composto com seu filho Gilper, o Virada, como um dos hinos da campanha das Diretas Já, na primeira metade dos anos 1980. Em 1984, o Fundo de Quintal gravaria outro samba de Noca que viraria clássico do Carnaval: Caciqueando (com Valmir e Amauri).

Outros sambas de destaque de Noca da Portela incluem Vendaval da Vida (com Délcio Carvalho) e Peregrino (com Toninho Nascimento). Noca vinha se dedicando nos últimos tempos ao lançamento da sua obra pela coleção Flores em Vida (Universal Music), dividida em 3 volumes e gravada por grandes nomes do samba.

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