Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Filhos de músicos que viveram a contracultura protagonizam novo doc; saiba onde assistir
Entre os personagens de ‘Nem Tudo É Paz e Amor’ estão os primogênitos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee e Moraes Moreira
O In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, que acontece entre 17 e 28 de junho em São Paulo, marcará a estreia nacional de Nem Tudo É Paz e Amor, de Betão Aguiar.
A obra tem uma temática original, com a reunião de filhos de músicos que nasceram e cresceram no período da contracultura, no fim da década de 1960 e nos anos 70. Eles refletem sobre vida naquela época, com foco em comportamentos, valores e costumes de seus pais — fora do padrão.
As declarações íntimas revelam o espírito de liberdade e as contradições dentro e fora daquele universo.
O longa-metragem é um dos grandes expoentes da Mostra Nacional do In-Edit e estará em exibição na capital paulista no Cinesesc, no sábado 20, às 20h30; na Cinemateca Brasileira, no dia 25, às 20h; e no Spcine Olido, no dia 28, às 14h.
O diretor Betão Aguiar, baixista da banda de Arnaldo Antunes e cineasta de relevantes filmes de cultura popular, passou a infância no ambiente da contracultura retratada no filme. Ele é filho de Paulinho Boca de Cantor, um dos integrantes dos Novos Baianos, grupo que transitou na psicodelia, um movimento marginal de mãos dadas com a contracultura.
Entre os depoimentos do filme estão os de Moreno Veloso (filho de Caetano Veloso), Nara Gil (filha de Gilberto Gil), Sarah Sheeva (filha de Baby Consuelo e Pepeu Gomes), Beto Lee (filho de Rita Lee), Anelis Assumpção (filha de Itamar Assumpção), Ciça Moreira (filha de Moraes Moreira), Areia Duarte (filha de Rogério Duarte) e Maria Meneghini (filha de Paulinho Boca de Cantor).
O longa também caminha na linha do filme marginal, com muitas imagens da época. Bem montado, instiga o espectador a entender o cenário não apenas fora da família tradicional, mas nas artes de muitas subjetividades.
Os filhos da contracultura expõem o quanto sofreram com estereótipos e definições fantasiosos sobre o meio artístico. Assim, seus depoimentos ganham relevância por expor a vida das famílias de artistas longe dos palcos.
Nem Tudo É Paz e Amor oferece uma boa reflexão sobre o aceitável e o inaceitável em uma sociedade repleta de padrões e expectativas.
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