Paulinho Boca de Cantor sobre Moraes Moreira: ‘A gente se amava’

Companheiros dos Novos Baianos, eles se falavam todos os dias; Paulinho lança álbum no ritmo do histórico grupo, mas revigorado

Foto: Paola Alfamor/Divulgação

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Cultura

Os Novos Baianos começaram com Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Moraes Moreira. Depois se integraram Baby Consuelo e Pepeu Gomes. Foi um grupo que surgiu na efervescência musical da virada dos anos 1960 e 1970, em que juntar ritmos brasileiros com nuances musicais do pop rock internacional da época foi a tônica.

Em recém-lançado trabalho solo, intitulado Além da Boca (Gravadora Deck), Paulinho Boca de Cantor traz essa característica, mas de forma renovada, com a participação de músicos de uma corrente nova e criativa da música brasileira.

“Com este disco, estou restaurando a minha carreira, me reinventando, colocando linguagem atual”, diz Paulinho. “Desde que cantava em orquestra e, depois, nos Novos Baianos, tinha essa ideia de não ficar em uma coisa só. Mais diversidade e fusão de ritmo”.

O músico compara este novo trabalho com um álbum solo seu de 1981, chamado Valeu, que fez grande sucesso: “O disco novo tem a pegada desse antigo”. E não deixa de lado um traço de Paulinho de ter a música como elemento aglutinador e festivo. “O disco é uma grande festa”, resume.

O Além da Boca é um trabalho para cima, com produção de seu filho, o músico Betão Aguiar, que desenvolve um importante projeto de resgate de manifestações populares no País, o Mestre Navegantes.

Betão ajudou a trazer músicos para participar do disco dando frescor ao projeto. Neste trabalho, estão Anelis Assumpção, Curumin (bateria), Tim Bernardes, Biel Basiel (bateria), Pupillo (bateria), Manoel Cordeiro (violão, guitarra e teclado), Davi Moraes (guitarra), Saulo Duarte (guitarra), Léo Mendes (guitarra), Pedro Baby (violão), Gustavo Ruiz (violão), Marcelo Jeneci (acordeon), dentre outros. E ainda Zeca Baleiro e Edgard Scandura (guitarra).

“Também estou perto desse pessoal porque eles têm os Novos Baianos como referência”, afirma. O último registo fonográfico solo de Paulinho Boca de Cantor foi A História na Música na Bahia (2014). Depois, veio o Acabou Chorare – Novos Baianos Se Encontram (2017), marcando a volta do grupo que fez história. Mas agora tem um grande desfalque: Moraes Moreira, que morreu ano passado. “Doeu demais. Moraes estava muito próximo de mim. A gente se falava 4, 5 vezes ao dia”, conta Paulinho.

“A gente se amava muito. Nós começamos essa jornada juntos. Como a gente se amava muito, quando voltamos (os Novos Baianos) em 2016, a gente procurou tirar o atraso por ter ficado tanto tempo distante”.

O músico diz “sentir a presença dele” quando compõe. “Faço umas poesias pensando nele, escutando o violão dele ao longe. Se a gente não tem essa dimensão da espiritualidade, se a gente não sabe que a consciência é indestrutível, ficaria mais difícil suportar essa perda”.

Os Novos Baianos já fizeram algumas homenagens a ele durante a pandemia. Lembrando que Moraes Moreira saiu antes de o grupo se dissolver em 1979. Sobre ainda os Novos Baianos, segundo Paulinho, há previsão de se reunirem para gravar um álbum de inéditas, inclusive com composições de Moraes.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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