Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Fernanda Porto vê a canção brasileira com espaço na música eletrônica
A cantora e compositora ficou conhecida no início dos anos 2000 por incorporar a MPB e a bossa nova no drum and bass
A cantora e compositora Fernanda Porto foi no final dos anos 1990 para Londres pesquisar o drum and bass, um subgênero da música eletrônica muito pouco conhecido no Brasil na época, mas que ela via com potencial enorme para se juntar à música brasileira.
Em 2002, lançou o primeiro álbum que leva o seu nome, com a música Sambassim (dela e Alba Carvalho), virando um sucesso brasileiro do drum and bass. No mesmo trabalho, regravaria Só Tinha que Ser com Você (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), tornando-se um hit nas pistas de dança. Ela define esse seu primeiro disco como um encontro da música brasileira com a música eletrônica.
Pouco tempo depois, seria chamada para a trilha do filme Cabra-Cega (2004), de Toni Venturi. Do trabalho no longa metragem surgiu outro sucesso em versão eletrônica de Fernanda Porto, com a participação do próprio compositor da canção marco da ditadura: Roda Viva, de Chico Buarque.
“Na verdade, (a música) é uma mistura de maracatu com drum and bass. Ele [Chico] gravou 26 vezes e ainda perguntou se estava bom. Foi muito importante para minha carreira. E a música do Chico foi parar em rádio pop”, recorda. A gravação entraria no seu segundo disco, o Giramundo (2004).
Para ela, o drum and bass tem muito swing, o que combina com o jeito brasileiro. “A gente acabou descobrindo naquela época que a música brasileira é muito querida lá fora pelos nossos ritmos e que ela também pode estar na pista”, afirma.
A cantora ficou conhecida por ser a pessoa que trouxe a música eletrônica para a canção brasileira. Segundo Fernanda Porto, vários artistas naquele período passaram a autorizar o remix de suas músicas, algo que hoje já está naturalizado.
De acordo com a cantora, ainda assim, há muito espaço para a MPB ingressar na música eletrônica, ocupando as pistas de dança.
O que pesa muito em Fernanda Porto, nesse casamento perfeito entre a canção brasileira e a música eletrônica feito por ela, é que a artista tem profundo conhecimento da MPB e da bossa nova, além de ser uma ótima arranjadora e instrumentista.
Os seus dois últimos discos, Corpo Elétrico e Alma Acústica (2000), Contemporâne@ (2022) – um disco de intérprete com Fernanda somente ao piano –, revelam uma artista completa.
Recentemente, a cantora lançou o selo Tropical Lab Records voltado à música eletrônica brasileira, com distribuição da DNBB Music. Neste projeto, ela tem relançado suas músicas bem como remixes de canções suas feitas por diferentes DJs.
“Tropical Lab abriga essa chegada de DJs novos na minha música”, conta. Ela revelou que pretende gravar um disco novo em breve pelo seu selo.
A cantora tem feito shows sobre a obra de Lulu Santos. E prepara para o ano que vem apresentações com repertório de Tom Jobim, que completa 100 anos de nascimento em 2027.
Assista à entrevista de Fernanda Porto a CartaCapital:
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