Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Ellen Oléria: Temos Ministérios da Igualdade Racial e da Cultura e isso dá esperança

Em novo álbum, cantora e compositora visita mais uma vez as rotas e raízes da diáspora com timbres modernos

Ellen Oléria. Foto: Diego Bresani/Divulgação
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 O quinto álbum de Ellen Oléria tem o nome de Re.trato – assim mesmo como está escrito. “A ideia de Re.trato é fazer um novo combinado, um novo trato com aquela menina que disse sim à música, que disse sim ao amor”, explica a cantora e compositora.

As canções que compõem o álbum, diz, percorre sua trajetória até se tornar a mulher de 40 anos de hoje. “O disco é de um jeito afrofuturista. É uma máquina do tempo”. 

Formada em artes cênicas pela Universidade de Brasília, Ellen Oléria tem muito da atriz que se constitui no processo acadêmico. “Grandes amores que encontrei [naquela época] inspiraram canções e também estão presentes no álbum”. 

O rhythm and blues (r&b), o soul music e o gospel estão muito presentes na formação musical da artista. “A gente tem o jeitinho brasileiro de fazer essas leituras”, conta. “O nosso r&b, nosso soul music, nosso new jazz. Essa é a sonoridade que a gente está visitando, trazendo todas as nossas influências”.

O jeito afrofuturista vem dos traços musicais de rotas e raízes. “Mais uma vez a gente está visitando as raízes, mas pensando nas rotas que a gente quer seguir”, afirma. “É receber as heranças que a gente tem, as nossas grandes tecnologias, os nossos timbres, e mostrar como a gente pode fazer isso de maneira contemporânea, moderna, e pegar no coração do povo também”.

Para a cantora, a diáspora africana tem muito a ensinar. “Diante de um dos maiores genocídios da humanidade, que foi contra o povo preto, a gente permanece aqui, contando nossas histórias, nossas vivências”, diz. “A música preta acabou se tonando o fundamento da cultura do Ocidente mesmo diante desse genocídio. Falar de amor, para nós, é revolucionário”. 

Em 2023, Ellen Oléria mostra disposição e ânimo renovado. “A gente tem um Ministério da Igualdade Racial, um Ministério dos Povos Originários e a gente tem de volta o Ministério da Cultura”, destaca. “A gente estava precisando desse oxigênio, esse fôlego de vida”. 

Nascida e criada na capital federal, a cantora e compositora ganhou a primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Antes de Re.trato, o seu último álbum tem o nome de Afrofuturista (2016).

Assista a entrevista de Ellen Oléria a CartaCapital na íntegra:

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