A Vida no Centro

Criada pelos jornalistas Denize Bacoccina e Clayton Melo, A Vida no Centro é uma startup de informação e impacto social sobre o Centro de São Paulo que produz reportagens, artigos, análises e entrevistas sobre tendências, cultura e comportamento nos centros urbanos.

A Vida no Centro

Precisamos falar sobre o Centro de São Paulo

Plataforma A Vida no Centro estreia blog no portal da Carta Capital para discutir temas como tendências da vida urbana e futuro das cidades

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A São Paulo que conhecemos hoje, a metrópole que ergue e destrói coisas belas, como disse Caetano, aconteceu somente a partir das primeiras décadas do século 20 – antes disso, a capital paulista era basicamente uma pequena vila de casinhas de taipa. Impulsionada pelo café, ela se industrializou, ganhou importância no cenário nacional e, em poucas décadas, se tornou a maior cidade brasileira. E toda essa transformação se deu a partir do centro da capital paulista, a região onde tudo acontecia naquele momento. O centro era o coração político, econômico e cultural da cidade.

Só para dar uma dimensão do que estamos falando, foi para lá que os barões do café, vindos no interior do Estado, se fixaram a partir do final do século 19, construindo casarões e dando origem a bairros glamourosos, como o Campos Elíseos, onde ficava a sede do governo estadual – uma residência de quatro mil metros quadrados e quatro andares construída em 1899 pelo cafeicultor e político Elias Pacheco Chaves e depois vendida ao governo.

O Palácio de Campos Elíseos

Também foi no coração da capital paulista que aconteceu a Semana de Arte Moderna de 22, mais especificamente no Theatro Municipal. A própria construção do teatro, aliás, é simbólica do clima na Belle Époque paulistana. Os relatos dos cronistas do período mostram que a inauguração, em 1911, marcou o primeiro congestionamento de automóveis de São Paulo, porque todos queriam ser vistos descendo dos carros, uma novidade na época.

Com o passar das décadas, porém, a história foi outra: o Centro entrou em decadência. A partir da década de 1960, o eixo da capital começou a mudar. Primeiro para a avenida Paulista, migrando depois para a região da avenida Brigadeiro Faria Lima e, mais tarde, para a Luís Carlos Berrini, áreas que ainda hoje são o centro simbólico e econômico de São Paulo. O resultado disso é que a região central ficou três ou quatro décadas abandonada. Os bancos, as indústrias e também muitas famílias foram para as outros bairros. A zona central ficou vazia e degradada.

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Futuro das cidades

A novidade agora é que o pêndulo mudou. A partir de meados da década passada – num movimento que se acentuou nos últimos anos – um público jovem conectado, ligado à cultura, gastronomia e que gosta da vida urbana, começou a frequentar e até morar no Centro. Novos bares, restaurantes, espaços e coletivos culturais surgiram, dando um novo dinamismo à região. Esse processo está contribuindo diretamente para a ressignificação do Centro de São Paulo como um lugar de encontro, respeito à diversidade, oportunidades, economia criativa, inovação e palco para diferentes coletivos sociais e de cultura. Que reflexões podemos fazer, a partir desse objeto, sobre o futuro das cidades? Como essas questões dialogam com a realidade de outros grandes centros urbanos?

Neste espaço, queremos justamente dar a nossa contribuição para que esse movimento de retomada do Centro seja motivo de reflexão e ajude no entendimento sobre os rumos de outras cidades brasileiras. Queremos, além de mostrar a vida que pulsa no Centro de São Paulo, debater caminhos para os inúmeros problemas sociais que ainda acometem a região e que dialogam diretamente com a situação de outras capitais do País. Por ser o ponto focal da metrópole o Centro de São Paulo é um microcosmo do que acontece em diferentes centros urbanos.

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O Minhocão ocupado nos finais de semana

Já são inúmeros os exemplos de como a diversidade produz inovação e faz a sociedade caminhar para a frente. Se no início do século 20 os imigrantes europeus deram um grande impulso à industrialização brasileira, hoje a cidade recebe gente de outras partes do mundo, e igualmente pode se beneficiar de novos conhecimentos e novas culturas. A tomada do espaço público, inicialmente pelos jovens, indica um novo jeito de morar nas cidades, em harmonia com a sociedade e com o seu entorno. Se nos anos 1990 a moda era “odiar morar em São Paulo”, agora a cidade recebe uma onda de amor que pode se tornar uma força transformadora – até capaz de forçar o poder público a sair da estagnação e fazer sua parte.

Por isso, aqui, vamos discutir o futuro das cidades, mirando os desafios das metrópoles no século 21, como a questão da mobilidade urbana, sustentabilidade, tendências, comportamento, moradia, tecnologias sociais, diversidade e o papel da economia criativa nesse processo, entre outros temas.

Como uma plataforma focada no Centro de São Paulo, o A Vida no Centro tem como propósito discutir e incentivar a construção de cidades mais sustentáveis, acolhedoras, socialmente responsáveis e voltada para as pessoas. É isso o que pretendemos fazer neste espaço que a Carta Capital nos abre, numa parceria que é motivo de orgulho e satisfação para nós. Vamos juntos?

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