Bem-Estar

Vício em apostas: 4 impactos na saúde mental e social

No foco das atenções de autoridades e especialistas, o hábito das apostas on-line tem alcançado um número significativo de brasileiros. Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), em 2025, cerca de 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas em casas […]

Vício em apostas: 4 impactos na saúde mental e social
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No foco das atenções de autoridades e especialistas, o hábito das apostas on-line tem alcançado um número significativo de brasileiros. Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), em 2025, cerca de 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas em casas reguladas pelo governo, que são aquelas hospedadas em endereços na internet que terminam com .bet.br. 

Uma pesquisa feita neste ano pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) mostra que aproximadamente 11 milhões de pessoas podem estar experimentando, em maior ou menor grau, algum tipo de uso problemático das apostas no país, evidenciando a gravidade do problema. 

Segundo Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento da EBAC (Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo), o vício em apostas vai muito além da questão financeira. “A compulsividade por apostas afeta diretamente a saúde mental, os relacionamentos interpessoais e a vida familiar das pessoas. Muitas vezes, os prejuízos emocionais e sociais são ainda mais devastadores do que as perdas de dinheiro”, alerta.

A aposta surge, também, como uma espécie de “escape”. “Como toda compulsão, o transtorno está relacionado a conflitos mal resolvidos na história de vida de cada um, que encontram ali um falso conforto para os seus problemas, já que provoca a repetição desenfreada do mesmo comportamento para obtenção da sensação de alívio”, acrescenta.

A seguir, confira 4 dos principais impactos do vício em apostas na saúde mental e social:

1. Isolamento social

O apostador compulsivo tende a se afastar de amigos e familiares, por vergonha e para esconder seu comportamento. Esse isolamento fragiliza laços importantes de apoio emocional, intensificando a solidão e a sensação de desamparo.

2. Ansiedade e depressão

O vazio que todo compulsivo sente, que no caso das apostas leva à perda constante de dinheiro e à constatação da falta de controle sobre os impulsos, pode desencadear quadros de ansiedade e depressão. Pessoas com esse tipo de compulsão relatam angústia, irritabilidade e sintomas de baixa autoestima.

Casal sentado em um sofá, separados e ambos com a cabeça baixa
O estresse causado pelo vício em apostas pode afetar casamentos, relações de trabalho e até a criação dos filhos (Imagem: Pormezz | Shutterstock)

3. Comprometimento das relações familiares e profissionais

O vício em apostas frequentemente gera conflitos no ambiente familiar, como a escassez de dinheiro, quebra de vínculos de confiança e desinteresse pelas trocas e convivência. O estresse pode afetar casamentos, relações de trabalho e até a criação dos filhos.

4. Presença de comorbidades e outros transtornos

Quase sempre a compulsão pelas apostas está acompanhada de outras formas de dependência, como abuso de álcool ou outras substâncias psicoativas, ou mesmo de outros transtornos, como ansiedade e depressão, agravando o quadro de saúde mental. Além disso, a compulsividade aumenta o risco de transtornos orgânicos associados, como distúrbios do sono e compulsões por compras ou alimentos.

Quando e como procurar ajuda

A busca por ajuda em casos de vício em apostas online deve acontecer assim que o comportamento começa a sair do controle e causar prejuízos na vida pessoal, financeira e emocional, como dificuldade de parar, mentiras, dívidas ou uso das apostas como forma de aliviar sentimentos negativos.

Nesses casos, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico — especialmente com a terapia cognitivo-comportamental —, suporte psiquiátrico quando necessário, participação em grupos de apoio e o suporte de familiares, além de medidas práticas como evitar gatilhos e limitar o acesso a plataformas de apostas.

Desde março de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece teleatendimento gratuito voltado para pessoas com compulsão em jogos de azar e vício em bets. O serviço é direcionado a pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e rede de apoio. Para acessar o serviço, o interessado deve se cadastrar por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

Por Flavia Pisani

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