Bem-Estar

Estatinas: entenda como esses medicamentos ajudam a controlar o colesterol alto

Silencioso e, na maioria das vezes, sem apresentar sintomas, o colesterol alto costuma ser identificado apenas durante exames de rotina. Apesar disso, trata-se de um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. Quando os níveis estão elevados, especialmente do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, ocorre […]

Estatinas: entenda como esses medicamentos ajudam a controlar o colesterol alto
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Silencioso e, na maioria das vezes, sem apresentar sintomas, o colesterol alto costuma ser identificado apenas durante exames de rotina. Apesar disso, trata-se de um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. Quando os níveis estão elevados, especialmente do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, ocorre um acúmulo de gordura nas paredes das artérias, favorecendo a formação de placas que dificultam a passagem do sangue.

Com o tempo, esse processo pode comprometer a circulação sanguínea e aumentar significativamente o risco de problemas graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e trombose. Segundo a endocrinologista Dra. Deborah Beranger, o colesterol alto costuma ter relação tanto com hábitos de vida quanto com predisposição genética.

“As causas de um colesterol alto são o excesso de álcool, o sedentarismo, uma alimentação rica em gordura e a genética. A maioria dos pacientes que tem tendência ao colesterol elevado possui um histórico familiar importante, com pai ou mãe também apresentando a condição. Por isso, na grande maioria das vezes, esses pacientes vão precisar de medicação em algum momento da vida”, explica.

É nesse contexto que entram as estatinas, medicamentos amplamente utilizados para reduzir os níveis de colesterol e proteger o sistema cardiovascular.

Como as estatinas ajudam a reduzir o colesterol ruim?

De acordo com o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações, as estatinas atuam diretamente no mecanismo de produção do colesterol pelo organismo. “As estatinas atuam inibindo uma enzima chamada hidroximetilglutaril coenzima A redutase, que é a enzima responsável pela produção do colesterol no nosso corpo”, explica.

Ao bloquear essa enzima, os medicamentos reduzem principalmente os níveis de LDL, o colesterol associado à formação das placas de gordura nas artérias. “Quando a enzima hidroximetilglutaril coenzima A redutase (HMG-CoA redutase) é reduzida, os níveis de colesterol, e o que importa para nós é o colesterol ruim LDL, são automaticamente reduzidos também”, detalha.

Doença silenciosa exige exames periódicos

A cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita alerta que, muitas vezes, a primeira manifestação do colesterol elevado já ocorre em um estágio avançado. “O grande problema dos altos níveis de colesterol no sangue está no fato de ser uma intercorrência silenciosa: o colesterol aumentado pode não causar sintoma nenhum, obstruindo as artérias aos poucos. Então, em alguns casos, a primeira manifestação da alta do colesterol é um evento como infarto ou derrame, quando já é tarde para prevenir”, ressalta.

Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar os níveis de colesterol no organismo por meio de exames de sangue. Como geralmente não causa sintomas, avaliações periódicas permitem identificar alterações precocemente e adotar medidas para evitar complicações.

Mulher jovem segurando um comprimido em uma mão enquanto vai beber água.
A rosuvastatina e a atorvastatina apresentam eficácia semelhante no resultado, mas com diferenças importantes no tempo de ação e no perfil do paciente (Imagem: Aquarius Studio | Shutterstock)

Estatinas para o tratamento do colesterol alto

Entre as estatinas mais conhecidas para o tratamento do colesterol alto, estão a rosuvastatina e a atorvastatina. Segundo o Dr. Maurizio Pupo, ambas apresentam eficácia semelhante no resultado, mas com diferenças importantes no tempo de ação e no perfil do paciente.

“A rosuvastatina é uma droga mais moderna, com uma potência superior para fazer a redução da hidroximetilglutaril coenzima A redutase num prazo mais rápido. Às vezes, em 15 dias, o paciente já está vendo a redução do colesterol. Já a atorvastatina levaria mais ou menos 30 a 40 dias para fazer essa redução”, explica.

No entanto, o farmacêutico ressalta que a escolha do medicamento depende do quadro clínico individual. “Tudo depende do risco cardiovascular. Se o paciente tem um risco cardiovascular muito elevado, às vezes é necessário o médico partir para uma droga mais potente do ponto de vista de obter um resultado mais rápido”, diz.

Quando uma ou outra opção pode ser a mais adequada

O Dr. Maurizio Pupo explica que a atorvastatina costuma ser preferida em pacientes com doença renal crônica ou diabetes. “A atorvastatina é mais segura para paciente renal e também mais segura em relação à diabetes, porque geralmente não agrava a doença. A rosuvastatina pode agravar tanto a doença renal quanto o diabetes, embora reduza o colesterol num prazo menor”, completa.

Outro fator levado em consideração é o uso simultâneo de diversos medicamentos, situação comum em idosos e pacientes crônicos. “A rosuvastatina tem menos chance de interagir com outros medicamentos por causa da maneira como ela é metabolizada. Já a atorvastatina pode aumentar ou diminuir o nível plasmático de outro medicamento quando há interação”, acrescenta.

Tratamento vai além da medicação

Embora as estatinas sejam ferramentas importantes no controle do colesterol, os especialistas reforçam que o tratamento também depende de mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do consumo de álcool e cigarro.

Segundo a Dra. Deborah Beranger, um dos principais desafios é justamente a adesão ao tratamento contínuo. “A gente precisa conscientizar esse paciente, quando ele precisa de medicação, de que ele não pode parar o remédio. Porque, se ele parar o remédio, o colesterol vai subir novamente. Esse é nosso grande desafio, porque, como é uma doença silenciosa, muitas vezes o paciente para a medicação quando esse colesterol chega no nível normal”, afirma.

A Dra. Aline Lamaita lembra que a intensidade do tratamento varia conforme o risco cardiovascular de cada pessoa. “Aqueles que já apresentam níveis de colesterol acima do recomendado devem consultar um médico regularmente, afinal, a intensidade do controle do colesterol, com o uso de medicamentos ou apenas com a adoção de uma alimentação balanceada, depende do risco cardiovascular de cada indivíduo, variando caso a caso”, finaliza.

Por Guilherme Zanette

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