Bem-Estar

Desconforto feminino: 7 situações que não devem ser consideradas “normais”

Durante muitos anos, desconfortos na região íntima feminina foram tratados como algo que as mulheres simplesmente precisavam suportar. Dor ao usar roupas apertadas, incômodo durante a prática de atividade física, alterações provocadas pela menopausa ou episódios recorrentes de infecções acabavam sendo encarados como consequências naturais […]

Desconforto feminino: 7 situações que não devem ser consideradas “normais”
Desconforto feminino: 7 situações que não devem ser consideradas “normais”
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Durante muitos anos, desconfortos na região íntima feminina foram tratados como algo que as mulheres simplesmente precisavam suportar. Dor ao usar roupas apertadas, incômodo durante a prática de atividade física, alterações provocadas pela menopausa ou episódios recorrentes de infecções acabavam sendo encarados como consequências naturais do corpo. Hoje, porém, a medicina mostra que muitos desses sintomas podem ser prevenidos ou tratados, desde que sejam corretamente investigados.

Com mais informação e menos tabus, cresce também o número de mulheres que procuram orientação especializada para entender sinais que interferem na qualidade de vida, na rotina e até na vida sexual. Ginecologistas alertam que o primeiro passo é abandonar a ideia de que sentir desconforto faz parte da vida.

Abaixo, confira situações que não devem ser normalizadas quando se trata de saúde íntima.

1. Dor ao caminhar, usar legging ou permanecer sentada por muito tempo merece investigação

Embora muitas mulheres convivam durante anos com esse tipo de desconforto, ele não deve ser encarado como algo inevitável. Em alguns casos, alterações anatômicas da região íntima podem provocar dor constante, atrito com as roupas e limitar atividades simples do dia a dia.

“Existem mulheres que apresentam desconfortos importantes provocados pela anatomia da região íntima. Quando isso interfere na rotina, na prática de atividades físicas ou na vida sexual, a cirurgia pode ter uma indicação funcional, e não apenas estética. É comum receber mulheres que relatam dor causada pelo atrito da região íntima com a roupa, dificuldade para utilizar roupas de academia ou até desconforto durante atividades cotidianas. Esses sintomas merecem investigação”, afirma a ginecologista e obstetra Dra. Carolina Cunha.

2. Incômodo durante exercícios físicos não deve ser ignorado

Corrida, ciclismo, musculação e equitação são modalidades que aumentam o atrito na região íntima. Quando existe dor frequente ou pequenas lesões, é importante avaliar se há alguma condição que esteja favorecendo esse quadro.

Segundo a Dra. Carolina Cunha, muitas pacientes deixam de praticar atividades físicas justamente por acreditarem que esse desconforto é normal. “Dependendo da anatomia da paciente, o excesso de tecido pode provocar irritações frequentes, pequenas lesões e dor durante os exercícios. Quando isso acontece de forma recorrente, vale a pena realizar uma avaliação especializada”, pontua.

3. Corrimentos e infecções recorrentes podem estar relacionados aos hábitos do inverno

O frio, por si só, não provoca infecções íntimas, mas mudanças de comportamento típicas da estação podem favorecer desequilíbrios da flora vaginal. Roupas mais apertadas, menor ingestão de água e redução da ventilação da região íntima aumentam o risco de desconfortos.

“O uso prolongado de roupas muito apertadas e pouco ventiladas pode aumentar a umidade local e favorecer desequilíbrios da flora vaginal. A redução da ingestão de água pode interferir na hidratação das mucosas, deixando o organismo mais vulnerável a desconfortos. O desequilíbrio da flora vaginal pode facilitar o surgimento de infecções como candidíase e vaginoses. Manter boa hidratação, usar roupas adequadas e evitar excesso de produtos na região íntima são medidas importantes de prevenção”, explica a ginecologista Dra. Déborah Coelho.

4. Sintomas provocados pela menopausa não precisam ser normalizados

A chegada da menopausa provoca mudanças hormonais importantes que repercutem muito além do fim da menstruação. Sono, memória, humor e saúde íntima também podem ser afetados, comprometendo a qualidade de vida.

A ginecologista Dra. Carolina Arrabal, especialista em climatério e menopausa, explica que ainda existe muita desinformação sobre essa fase. “Muitas mulheres acreditam que precisam simplesmente ‘aguentar’ os sintomas, quando, na verdade, há tratamentos e estratégias que podem melhorar muito essa fase”, afirma.

Segundo ela, a menopausa não é apenas sobre parar de menstruar. Trata-se de uma mudança sistêmica no corpo na totalidade. “Oscilações hormonais podem afetar memória, concentração, humor e qualidade do sono de forma significativa. Quando a mulher entende que esses sintomas têm causa biológica e podem ser manejados, ela deixa de naturalizar o sofrimento”, acrescenta.

Mulher alongando o corpo em uma academia e sorrindo
Manter uma rotina de sono, alimentação e atividade física ajuda a aliviar os sintomas da menopausa e melhora a qualidade de vida (Imagem: Kostikova Natalia | Shutterstock)

5. No inverno, dores e cansaço da menopausa podem ficar ainda mais intensos

Muitas mulheres percebem que os sintomas da menopausa parecem piorar durante os meses mais frios. A combinação entre temperaturas baixas, menor exposição ao sol e redução da atividade física pode intensificar o desconforto.

“O frio reduz a elasticidade muscular e aumenta a rigidez articular, o que faz com que dores e desconfortos sejam mais percebidos durante essa fase. As mudanças hormonais da menopausa já prejudicam o sono, e o inverno pode intensificar esse problema”, explica o ginecologista Dr. Rafael Lazarotto, especialista em menopausa.

Segundo o médico, algumas mudanças simples ajudam a enfrentar esse período. “A prática regular de atividade física ajuda a reduzir dores, melhora o sono e contribui para o equilíbrio hormonal e emocional. Ter uma rotina organizada de sono, alimentação e atividade física ajuda a reduzir a intensidade dos sintomas e melhora a qualidade de vida”, recomenda.

6. Pensar na maternidade mais tarde exige planejamento

Cada vez mais mulheres escolhem adiar a gravidez para priorizar estudos, carreira ou projetos pessoais. Nesses casos, entender como funciona a fertilidade ao longo da vida pode fazer diferença nas escolhas futuras. A ginecologista especialista em reprodução assistida Dra. Bruna Begossi explica que o congelamento de óvulos vem sendo utilizado justamente como uma ferramenta de planejamento reprodutivo.

“O congelamento de óvulos deixou de ser algo restrito a casos médicos e passou a ser uma escolha de planejamento. Muitas mulheres querem preservar a possibilidade de engravidar no futuro, principalmente enquanto priorizam carreira, estudos ou ainda não encontraram o parceiro ideal”, afirma.

Segundo a médica, com o passar dos anos, ocorre uma queda natural da qualidade e quantidade dos óvulos. “Quando a mulher entende isso, ela passa a enxergar o congelamento como uma forma de autonomia reprodutiva, não como uma promessa de gravidez futura, mas como uma possibilidade real de preservação”, pontua.

7. Comparações nas redes sociais não devem definir o que é considerado “normal”

O acesso constante a imagens filtradas e padrões estéticos tem feito muitas mulheres acreditarem que existe uma anatomia íntima ideal. Na prática, porém, há uma grande variação considerada normal. “A anatomia feminina apresenta inúmeras variações e isso é absolutamente esperado. A indicação de qualquer procedimento deve considerar sintomas e impacto na qualidade de vida, nunca apenas questões estéticas ou padrões de beleza. Cada mulher possui necessidades diferentes”, afirma a Dra. Carolina Cunha.

Segundo a médica, é durante a consulta que é possível “entender o que realmente incomoda, esclarecer dúvidas e definir se existe ou não benefício com uma abordagem cirúrgica. O resultado mais importante não é a mudança da aparência, mas a melhora da qualidade de vida. Quando a paciente deixa de sentir dor, volta a praticar exercícios com conforto e recupera sua confiança, o tratamento cumpre seu verdadeiro propósito”.

Ao falar mais abertamente sobre saúde íntima, fertilidade e menopausa, especialistas esperam que cada vez menos mulheres convivam em silêncio com sintomas que podem ser tratados. Em vez de aceitar o desconforto como parte da rotina, a orientação é observar os sinais do corpo e buscar avaliação médica sempre que mudanças persistentes começarem a interferir na qualidade de vida.

Por Sarah Carvalho

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